Artes

Escultura (3): Outras formas de criação artística

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Você viu no texto Escultura (1) a imagem de uma escultura de ar. Pois é, a criação artística pode chegar aonde a imaginação e a criatividade alcançarem. Vamos ver alguns exemplos de produção de obras de arte que vão além das formas tradicionais e questionam a própria existência da escultura.



Areia e gelo

O trabalho com areia remete à técnica de modelagem e o trabalho com gelo ao cinzelamento. O que os resultados obtidos têm em comum? Ambos são casos de obras de arte efêmeras, ou seja, duram pouco tempo e se desmancham. Ainda assim, não deixam de ser obras de arte com sua beleza própria e, por isso, uma importante forma de questionar a eternidade das obras de mármore, por exemplo.



Metal: dobra e corte

Você viu em Escultura (2) a técnica da cera perdida para a confecção de esculturas em metal. Pois bem, muitos artistas no século 20, especialmente os ligados aos movimentos concretista e neoconcretista, como Amílcar de Castro e Lygia Clark, passaram a questionar a própria matéria-prima utilizada na fabricação de esculturas.

Ao invés de derreter o metal, esses artistas propõem dobras e cortes de chapas de metal. Com isso, formam objetos de arte tridimensionais e que se relacionam com o espaço, princípio básico da escultura.



Sucata

Todo material que é produto de resíduo descartado, passível de reciclagem, é sucata. Você já fez um foguete de potes de iogurte ou caixa de ovos? Isso é uma escultura de sucata.

Quando pensamos em esculturas, é comum imaginarmos estátuas gregas antigas, pois é uma imagem imortalizada no tempo. Agora, se pensarmos em nossa civilização, séculos 20 e 21, observaremos um contraponto àquele ideal de beleza da Antigüidade: uma característica de nossa sociedade é o consumo desenfreado e a produção de lixo.

Antes mesmo de travarmos contato com o conceito de reciclagem, artistas já estavam reutilizando materiais que foram descartados, as sucatas, e produzindo suas obras. É o caso da obra que ilustra este texto.

Esta obra de Tinguely é uma grande escultura, feita de sucata de diversas origens, você consegue perceber? A idéia de sucata tem muito a ver com os artistas da vanguarda modernista, em especial Duchamp, que utilizava objetos industrializados retirando-os do cotidiano e elevando-os ao status de obra de arte, ao modificar sua função.



Arte cinética

Você não pode entrar na obra de Tinguely, mas pode vê-la em funcionamento, ou seja, existe um interruptor que faz toda a estrutura se movimentar, como se fosse uma máquina.

A arte cinética é uma corrente das artes plásticas que explora efeitos visuais por meio de movimentos físicos. E não deixa de ser mais uma provocação artística às imagens eternizadas e estáticas da escultura clássica.




 

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em artes no Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro "Arte-Educação: Experiências, Questões e Possibilidades" (Editora Expressão e Arte).

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