Biologia

Fome e subnutrição: Ter fome é normal, mas subnutrição é problema

Maria Aparecida de Almeida Lico

A sensação de fome é muito importante para nossa sobrevivência. Quando diminui a quantidade de glicose no sangue arterial, o hipotálamo recebe um aviso no que se chama de seu centro da fome. O hipotálamo é uma região do encéfalo localizada na base do cérebro.

Apesar de relativamente pequena (tem o tamanho de uma ervilha), ela é a responsável pelo ajuste e as adaptações do organismo às variações do ambiente. O hipotálamo controla a temperatura corporal, o equilíbrio de água no corpo e o apetite, além de ser também o centro da expressão emocional e do comportamento sexual.

A baixa concentração de glicose no sangue gera impulsos nervosos que partem do hipotálamo e chegam ao estômago. Este órgão, então, começa a contrair-se. São esses movimentos estomacais que provocam a sensação de fome. Como resposta a esse estímulo, procuramos alimento, de modo a garantir a manutenção da vida.

Subnutrição

Mas existe um outro tipo de fome, chamada de fome crônica, que atinge milhões de pessoas no mundo. São pessoas que raramente encontram alimento quando sentem fome ou não o encontram em quantidade ou qualidade satisfatórias. As populações atingidas pela fome crônica, em geral, acabam satisfazendo sua fome com alimentos ricos em carboidratos, tais como pão, arroz com farinha de mandioca, mingau de farinha de trigo ou de fubá, mas pobres em proteínas e vitaminas, como carnes e verduras frescas. Essa é uma alimentação de qualidade insatisfatória, pois, embora alivie a sensação de fome ou "engane o estômago", como se diz, não oferece os nutrientes necessários à manutenção da saúde.

Por outro lado, quando o ser humano ingere alimentos em quantidade menor que a necessária, por curto espaço de tempo, o organismo usa suas reservas, ou seja, os nutrientes que armazenou sob a forma de gordura, para equilibrar esse déficit. Entretanto, se a falta de alimentação ou a alimentação inadequada perdura por muito tempo, ocorre a subnutrição.

Causada pela falta de alimento ou pela alimentação deficiente, a subnutrição se torna mais grave quando atinge crianças na fase inicial de suas vidas. Os três primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento humano. Se ocorrer nesse período, a subnutrição, pode comprometer o desenvolvimento mental e interferir no comportamento de quem sofreu o problema, mesmo que esta depois passe a receber uma alimentação adequada.

Respiração celular

Como acontece com todos os seres vivos, o ser humano precisa de energia. Para obtê-la, deve ingerir alimentos, dos quais vai extrair os nutrientes que fornecerão a energia necessária à manutenção das suas atividades vitais. A reação química que fornece essa energia é a respiração celular. Por meio dela os nutrientes e o oxigênio produzem água, o gás carbônico e a energia. Portanto, só temos energia para nossas atividades vitais quando fornecemos ao nosso corpo os nutrientes necessários.

A caloria é uma unidade muito pequena. Uma maçã, por exemplo, fornece 60.000 calorias. Por isso, a unidade usada em nutrição é a quilocaloria (kcal ou Cal) que corresponde a 1.000 calorias. A maçã, então, fornece 60 kcal ou 60 Cal. Os rótulos de alimentos nem sempre apresentam essa unidade escrita corretamente, com o C maiúsculo, o que pode causar alguma confusão. Uma das maneiras de saber a quantidade de caloria de um alimento é queimá-lo em um aparelho especial, chamado calorímetro, que informa a energia liberada sob a forma de calor.

Maria Aparecida de Almeida Lico é bióloga e professora de Ciências, no Colégio Ítaca e no Núcleo Educacional Granja Viana.

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