Ciências

Associações biológicas: Relações essenciais ao equilíbrio na natureza

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

As associações biológicas, ou relações ecológicas, são maneiras de relacionamento entre os seres vivos que compartilham o mesmo ambiente.

Essas formas de organização são importantes para a saúde das populações de animais e plantas, bem como para a sua sobrevivência. Pode-se dizer que as associações biológicas são essenciais para o equilíbrio da natureza.

Para se ter uma ideia basta imaginar, por exemplo, se não existissem predadores de ratos: o ser humano viveria num "mar" desses roedores que se multiplicam com muita rapidez.

Relações harmônicas
Quando uma espécie é beneficiada, ou tem vantagens, sem que outra seja prejudicada, diz-se que é um tipo de relação "harmônica". Essa pode ocorrer tanto entre indivíduos, ou organismos, de mesma espécie como entre aqueles de espécies diferentes.

As colônias e sociedades são associações entre indivíduos de mesma espécie. Na colônia, os organismos são ligados fisicamente, como fungos, agrupamentos de bactérias, e recifes de coral. Na sociedade, os indivíduos não são ligados de forma física.

Formigas, abelhas e cupins formam associações harmônicas de sociedade. Lembre-se: nas sociedades entre esses insetos, cada grupo realiza uma tarefa, de tal forma que a divisão de trabalho entre os indivíduos proporciona a sobrevivência do grupo inteiro.

A união faz a força
O mutualismo ocorre entre espécies diferentes. As espécies envolvidas têm vantagens e a sobrevivência de uma depende da outra. Os líquens são resultado da união mutualista entre alguns fungos e algas: os fungos fornecem abrigo para algas que, por sua vez, alimentam os seus protetores.

Existem algumas aves que colocam os seus ovos junto com outras espécies de aves - essa interação chama-se protocooperação. As espécies envolvidas beneficiam-se com a proteção, mas também sobrevivem sem ela.

Você pode se perguntar por que elas criam essa associação se sobrevivem sem ela. É mais fácil sobreviver em meio à proteção do que sem ela - afinal de contas, a união faz a força.

Vantagem para uma só
No caso do comensalismo, apenas uma das espécies envolvidas tem vantagens, mas a outra não é prejudicada. O urubu e o ser humano têm esse tipo de relação - o primeiro, alimenta-se do lixo deixado pelo segundo.

Bromélias e orquídeas são inquilinas que "moram de graça" em algumas árvores. As árvores não se beneficiam nem não são prejudicadas por essa associação harmônica chamada inquilinismo.

Relações desarmônicas
As relações desarmônicas acontecem quando uma espécie leva vantagem em detrimento da outra envolvida. Quando um leão caça uma zebra, por exemplo, o primeiro alimenta-se do segundo, que morre para servir de alimento ao predador. Essa é uma associação de predação.

Quando as espécies disputam pelos mesmos recursos - alimento, água ou território -, a relação denomina-se competição. As plantas também competem entre si, por luminosidade e espaço.

Canibalismo e parasitismo
Algumas espécies de aranhas, como as viúvas-negras, comem os machos de sua espécie após a cópula, daí o nome "viúva". As fêmeas de louva-a-deus têm o mesmo comportamento. Esse tipo de relação chama-se canibalismo.


No parasitismo, outra associação desarmônica, a espécie beneficiada é o parasita e a outra, prejudicada, chama-se hospedeiro. Os parasitas podem ser externos, ectoparasitas, ou internos, endoparasitas.

A pulga é um ectoparasita, pois se alimenta do sangue de animais, como cães e gatos, sem entrar no organismo deles. Já a lombriga vive dentro do organismo humano e, por isso, é um endoparasita.

Vizinhança difícil
Algumas plantas exalam substâncias que impedem outras espécies vegetais de crescerem perto delas. Eliminam, desse modo, a competição por luz e água. Essa relação denomina-se amensalismo.

É essa associação que os antibióticos têm em relação às bactérias patogênicas e, por isso, conseguem inibi-las.

Quando as espécies vivem em um mesmo ambiente e uma não afeta a outra nem para o bem e, tampouco para o mal, a relação chama-se neutralismo.

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é estudante de biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e bolsista de Iniciação Científica do Mackpesquisa (PIBICK).pagina3@pagina3ped.com

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