Ciências

Caule: Conheça as características do sistema caulinar

Alice Dantas Brites, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O caule, juntamente com as folhas e a raiz, compõe a parte vegetativa das plantas, ou seja, aquela que não está envolvida na reprodução. Suas principais funções são o suporte dos demais órgãos vegetais e a condução de água e solutos ao longo da planta. Alguns caules são adaptados a funções especiais, como o armazenamento de água ou de substâncias de reserva.

 

Classificação

De acordo com seu posicionamento em relação ao solo, os caules podem ser classificados como aéreos ou subterrâneos. Os caules aéreos são aqueles que se desenvolvem acima do solo. Alguns tipos de caules aéreos são: haste, tronco, estolho, estipe e colmo.

A haste é um caule fino que não apresenta crescimento secundário. Ocorre, por exemplo, nas gramíneas. O tronco é um caule espessado pelo crescimento secundário e é típico da maioria das árvores. O estolho é um caule que cresce rente ao chão, como é o caso do morango. O estipe é um caule cilíndrico sem ramificações, típico das palmeiras. O colmo também é um caule sem ramificações, mas que possui nós distribuídos ao longo de seu comprimento. Um exemplo é o caule do bambu.

Os caules subterrâneos são chamados de rizomas e crescem abaixo da superfície do solo. Um exemplo é a batata-inglesa.

 

Estrutura e crescimento primário

O crescimento primário corresponde ao crescimento em comprimento do caule. O caule, assim como a raiz, possui um meristema apical onde ocorre uma intensa proliferação celular e a formação dos tecidos primários.

O meristema apical produz estruturas que originam as folhas, chamadas de primórdios foliares, e estruturas que originam caules laterais, chamadas de primórdios de gemas.

Quando examinado em corte transversal, o caule primário apresenta as seguintes camadas: epiderme, córtex e sistema vascular.

A epiderme é a camada mais externa e, geralmente, é formada por uma única camada celular. Suas células são revestidas pela cutícula, substância cerosa que protege o caule e impede a perda de água.

Abaixo da epiderme encontra-se o córtex, formado por células de colênquima e parênquima. O colênquima ocorre logo abaixo da epiderme e é um tecido de sustentação, principalmente de órgãos em fase de crescimento. Após o colênquima encontra-se o parênquima, um tecido envolvido principalmente no armazenamento e secreção de substâncias.

Por fim, na região central, encontram-se os tecidos vasculares, ou seja, o xilema e o floema primários. Estes estão dispostos na forma de feixes, de modo que o floema ocupa sempre a posição mais externa em relação ao xilema.

Existem três principais formas de organização do sistema vascular primário dos caules. No primeiro caso, os feixes de xilema e floema formam um cilindro quase contínuo, intercalado apenas por regiões muito estreitas de tecido parenquemático. No segundo caso, os feixes de xilema e floema também estão dispostos de forma cilíndrica, porém cada feixe encontra-se afastado um do outro por uma larga faixa de parênquima. No terceiro caso, os feixes vasculares encontram-se dispersos no córtex e não formam uma medula. Este último tipo de organização é encontrado nas monocotiledôneas e nas dicotiledôneas, que não apresentam crescimento secundário.

 

Estrutura e crescimento secundário

Em muitas espécies de plantas os caules podem crescer também em espessura: é o chamado crescimento secundário. As espécies que apresentam crescimento secundário são chamadas de plantas lenhosas.

O crescimento secundário se dá através do surgimento de novos tecidos vasculares e não vasculares. Estes tecidos secundários são formados a partir da proliferação e diferenciação de células meristemáticas do câmbio vascular e do câmbio da casca, respectivamente.

Assim como na raiz, na estrutura secundária do caule, a epiderme, é substituída pela periderme. A periderme é formada por três tecidos. O mais externo é o súber, composto por células mortas revestidas por suberina, substância lipídica que evita a perda de água. O mais interno é a feloderme, composta por tecido parenquimático. Entre os dois há o câmbio da casca (ou felogênio), responsável pela produção do súber e da feloderme.

Os novos tecidos vasculares se originam a partir da multiplicação e diferenciação de células do câmbio vascular. Na estrutura secundária, o xilema e floema estão posicionados radialmente, na forma de um cilindro ao longo do caule. Da mesma forma que na estrutura primária, os feixes de floema situam-se mais externamente do que o xilema.

O crescimento periódico dos tecidos vasculares origina os chamados "anéis de crescimento", visíveis quando cortamos um caule lenhoso transversalmente. Em geral, os anéis são formados anualmente e, desta forma, o número de anéis pode fornecer uma estimativa da idade da árvore.

Essa estimativa, contudo, não é muito precisa, pois, além de nem todas as espécies apresentarem anéis de crescimento visíveis, há também o fato de as variações ambientais influenciarem no crescimento do sistema vascular, podendo provocar o surgimento de mais de um anel por ano.

 

Adaptações dos caules

Alguns caules apresentam adaptações para exercer funções especiais. A seguir veremos os seguintes exemplos: tubérculo, bulbo, gavinha e cladódio.

Alguns caules possuem uma grande quantidade de tecido parenquemático e armazenam substâncias de reserva, principalmente amido. Esse tipo de caule é chamado de tubérculo e inclui espécies utilizadas na alimentação humana, como, por exemplo, a batata-inglesa.

Outro tipo de caule capaz de armazenar substâncias de reserva é o bulbo. Ao redor do bulbo existem folhas modificadas chamadas de catafilos. Um exemplo de bulbo é a cebola. A parte que comemos corresponde aos seus catafilos.

O caule de muitas espécies de plantas trepadeiras é adaptado para se fixar no substrato. Esta modificação é chamada de gavinha. Ocorre, por exemplo, no maracujá e na videira.

Os cladódios são caules especializados no armazenamento de água e na realização de fotossíntese. Essa adaptação ocorre principalmente em espécies que vivem em ambientes áridos, como os cactos e as suculentas.

Alice Dantas Brites, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é professora de biologia.

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