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Cometas - Formados por gelo, rochas e gases

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em desenhos animados, personagens podem pegar carona na cauda de um cometa e viajar pelo espaço, como se estivessem montadas num cavalo celeste. Os cometas sempre alimentaram a fantasia das pessoas por sua inigualável beleza ao riscar o céu com suas caudas iluminadas.

Antes de saber mais sobre a astronomia - a ciência que estuda os astros - , o ser humano criou histórias fantásticas sobre esses magníficos corpos celestes, numa mistura de espanto, medo e admiração. Hoje em dia, com o avanço da ciência, temos um conhecimento mais aprofundado sobre os cometas.

Há quase 60 anos, Jean Hendrik elaborou uma teoria sobre a existência de uma nuvem de cometas, a Nuvem de Oort, que fica próxima do Sol - mais ou menos a 1,5 ano-luz. Atenção nessa hora: o termo "próximo" em astronomia refere-se à distâncias entre galáxias, isto é, imensas, impossíveis de se imaginar - a menos que você seja um astrônomo, um físico ou um astronauta.

 

Longa jornada pelo espaço

Você deve estar lembrado de que ano-luz é a unidade de comprimento criada para definir essas distâncias astronômicas. Equivale à distância que a luz viaja, de um ponto a outro do espaço sideral, isto é, no vácuo, durante um ano: são cerca de 300.000 metros por segundo.

Para chegar do Sol até a Terra, a luz demora 8,3 minutos - isso porque é uma viagenzinha curta. Um ano-luz corresponde a percorrer uma distância de quase 10 trilhões de quilômetros. Agora pense nessa distância (se puder) e você vai chegar pertinho da Nuvem de Oort. Essa nuvem está distribuída de forma esférica ao redor do Sol.

Algumas vezes, também, as estrelas como o Sol podem sofrer mudanças nas sua gravidade. Isso pode fazer alguns corpos celestes serem atraídos pelo campo de gravidade do Sol. Os que são mais facilmente "puxados" pela força que emana do astro maior são os corpos pequenos, como os meteoritos - eles são os pedregulhos do espaço. Agora pasme: esses meteoritos "capturados" em torno do Sol ou de outra estrela podem se transformar em cometas.

 

Partes de um cometa

Cometas possuem três partes principais: o núcleo, a cabeleira e a cauda - e são formados principalmente de rocha, poeira e gelo.

  • Núcleo: todos os fenômenos que ocorrem no cometa têm origem a partir de seu núcleo. Ele é feito de gelo (um gelo bem sujo) e pode pesar de um quilo a algumas dezenas de toneladas. Ao se aproximar do Sol, o núcleo dá origem à cabeleira e à cauda do cometa.Por ser um corpo pequeno (de baixa atração gravitacional) e se movimentar muito rápido, a cada passagem perto do enorme calor do Sol o núcleo gelado derrete e a cauda do cometa aumenta. Até que, um dia, o núcleo se desgasta completamente e o cometa "morre". A vida média dos cometas não ultrapassa os 10 milhões de anos.
  • Cabeleira: ela é mais brilhante do que a cauda. A presença predominante de componentes simples, à base de hidrogênio e oxigênio, revela que a maior parte da constituição do cometa é água em dois estados: o sólido (gelo) e o gasoso (vapor de água). É na cabeleira do cometa, a parte que lembra a juba do leão, que a água está em estado gasoso.
  • Cauda: os cometas possuem dois tipos de caudas: uma feita de poeira neutra e a outra de elétrons e gases ionizados. A primeira tem cor amarelada que reflete a luz solar. A segunda é azulada, produzida principalmente pelo CO (monóxido de carbono). A cauda é formada pela pressão eletromagnética (exercida pelos raios solares) e pelo vento solar. A cabeleira e a cauda têm em média, de 10 mil a 100 milhões de vezes o diâmetro do núcleo.

    Dois tipos de órbita e de cometa Ao viajar em direção ao Sistema Solar, os cometas podem desenvolver três tipos de órbita:
     
  • Parabólica e Hiperbólica: Aproximam-se uma única vez do Sol e retornam ao espaço interestelar. São chamados cometas não-periódicos.
  • Elíptica Os cometas periódicos, isto é, que voltam de tempos em tempos, têm esse tipo de órbita. Ela em geral é provocada pela influência gravitacional dos planetas, em especial Júpiter e Saturno, que têm a tendência de "prender" os cometas ao Sistema Solar. Como eles são planetas gigantes, atraem tudo o que é menorzinho, feito um poderoso imã.

    Um cometa muito famoso Edmund Halley era grande amigo do físico Isaac Newton, na Inglaterra, há quase 400 anos. Newton havia publicado, em 1686, seu livro "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural", todo em latim, como era costume na época. E no "Principia" - como ficou mais conhecido - explicou de forma detalhada como os planetas giram em órbitas elípticas, quase circulares, em torno do Sol, sob a influência da força gravitacional.

    Halley resolveu comprovar o que Newton afirmara. Juntou todas suas anotações sobre cometas. Pesquisou e descobriu que um cometa visto por ele em 1682, tinha características e trajetória muito semelhantes a outros dois, cuja passagem estava documentada em 1607 e 1531. Concluiu que se tratava do mesmo corpo celeste que se aproximava da Terra a cada 76 anos. Ele estava certo: o cometa voltou, em 1758 e foi batizado com o nome do astrônomo.

    Depois disso, o Halley voltou a cruzar a órbita terrestre em 1835, 1910 e 1985. Em 1986, cinco espaçonaves, da Rússia, do Japão e da Comunidade Europeia aproximaram-se do Halley. Foi quando a nave Giotto, da Agência Espacial Europeia, fotografou pela primeira vez o núcleo de um cometa. Calcula-se que sua próxima passagem pelo Sistema Solar será em 2061.

    Famosos também - mas não tanto Outros cometas também se tornaram conhecidos da humanidade e ganharam nomes de quem os avistou primeiro:
     
  • Halle-Bopp: identificado no dia 23 de julho de 1995, pelos astrônomos Alan Hale e Thomas Bopp;
  • Hyakutake: esse cometa foi descoberto a 30 de Janeiro de 1996 por Yuji Hyakutake , um astrônomo amador do Sul do Japão. Foi considerado o maior cometa de 1996, e um dos que estiveram mais perto do nosso planeta nos últimos 200 anos;
  • West: Visto pelo fotógrafo Richard West, em agosto de 1975. Ficou visível até 1976, quando atingiu um brilho tão grande que podia ser observado durante o dia. Estima-se que o período de órbita desse cometa é de 240 mil anos. Isso quer dizer que ele passa pela órbita da Terra a cada 24 milênios!
  • Biela: esse foi identificado pelo astrônomo alemão Wilhelm Von Biela em 1826.
  • Kohoutek: descoberto pelo tcheco Lobus Kohoutek em 1973. Esse cometa foi apelidado pelos jornais e pela televisão da época de "cometa do século" porque se acreditava que ele apareceria muito luminoso. Mas não foi assim: o Kohoutek passou sem dar o espetáculo previsto, porque é feito mais de rocha que de gelo e gases, o que reduz muito seu brilho. Sua órbita elíptica é de 75 mil anos - ou seja, acredita-se que ele visita nosso Sistema Solar três vezes entre uma passagem e outra do cometa West - aquele que demora um pouquinho para voltar.

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é estudante de biologia na Universidade Mackenzie e bolsista do CNPq.

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