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Urso polar - Um dos maiores carnívoros terrestre pode desaparecer

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Um dos maiores carnívoros terrestre do planeta, o urso polar é também chamado de "rei do Ártico", a região gelada em que vive. Um urso polar macho pode atingir mais de 2 metros de comprimento e pesar cerca de 600 kg.

Existem cerca de 20 mil ursos polares no mundo, de acordo com estudos realizados pela Unep, sigla em inglês para United Nations Environment Programme, que significa Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Esses animais estão distribuídos, no hemisfério Norte, nas terras do Alasca (Estados Unidos), da Groenlândia, da Rússia, do Canadá e nas ilhas da Noruega.

Equipamentos de sobrevivência dos ursos polares

Ao redor dos coxins, que são as "almofadas das patas", os ursos polares têm pêlos especiais que não os deixam escorregar no gelo e os ajudam a correr numa velocidade de até 40 quilômetros por hora.

Seu corpo é coberto por duas espessas camadas de pêlos brancos, e uma camada de gordura sob a pele, o que permite ao urso polar suportar as baixas temperaturas do Ártico. Para se ter uma ideia, a temperatura média de inverno é de -30°C, bem menor que a temperatura ideal de um freezer, em torno de -18°C.

Seu olfato apurado é 100 vezes mais sensível que o do ser humano. Isso lhe permite encontrar alimento e também as fêmeas de sua espécie, na época do acasalamento.

Excelente nadador

Uma pele entre os dedos permite que os ursos polares nadem melhor e com uma velocidade de até dez quilômetros por hora. Isso mesmo: eles mergulham e nadam muito bem nas águas geladas dos mares da região ártica.

Podem nadar 100 km em mar aberto, à procura de caça e de locais de descanso. Aliás, ursos polares passam a maior parte do tempo na água ou em torno dela, no gelo, daí seu nome científico ser Ursus maritimus.

O pescoço do urso polar também é uma adaptação ao seu estilo de vida: é mais comprido do que o das outras espécies de ursos, para que ele possa colocar a cabeça fora da água.

Quando mergulha, a uma profundidade de até três metros, o urso polar fecha as narinas. Isso impede que a água entre em seus pulmões e ele se afogue. O urso polar consegue ficar embaixo d'água, sem respirar, por dois minutos.

Gordura no cardápio

As focas, por serem ricas em gordura, são as presas preferidas do urso polar. Ele fica à espreita, perto dos buracos que se formam no gelo sobre o mar.

Quando a foca emerge para respirar - o urso abocanha a cabeça de sua presa e puxa seu corpo para fora da água. No período de um ano, um urso polar bem sucedido consome cerca de 75 focas.

Jejum do urso polar

Baleias que morrem encalhadas e peixes também servem de alimento para o urso polar. Seu estômago suporta de 15% a 20% de seu peso - uma fêmea de 400 kg consegue comer 80 kg de alimento.

Mas esse urso também se alimenta de cervos, pequenos roedores, aves marinhas, ovos, frutos da mata e, infelizmente, lixo produzido pelos humanos.

O urso polar consegue passar oito meses sem comer nada. Após meses em jejum, ele pode até mesmo caçar um ser humano, caso aviste um. Os cientistas que estudam o Ártico andam armados, para afugentar o urso polar.

Comportamento

Os ursos polares são nômades, isto é, não têm um lugar fixo para morar. São solitários, mas na época do acasalamento, nos meses de abril e maio, machos e fêmeas são vistos juntos.

Quando a fêmea está no cio, é comum ver até três machos acompanhá-la. Eles competem por ela fazendo demonstrações de força e, por vezes, lutam entre si. O vencedor se une à fêmea e o casal fica junto por uma semana, ou pouco mais do que isso. Após a fecundação, a fêmea começa a acumular gordura, que é uma reserva de energia.

Filhotes indefesos

A fêmea do urso polar cava uma toca na neve e, oito meses depois, nascem os filhotes - no máximo três. Os filhotes recém nascidos são indefesos, como bebês humanos, e só abrem os olhos com um mês de vida. Conforme eles se desenvolvem, mamam com menos frequência.

Eles aprendem a caçar observando sua mãe e, com 30 meses de vida, ela os espanta para longe. A partir desse momento, cada filhote fica por sua própria conta.

Ursos polares podem desaparecer

Os ursos polares podem desaparecer por completo em 50 anos, segundo estudos científicos, como o relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas.

O governo dos Estados Unidos recentemente classificou o urso polar como ameaçado de extinção.

Além de enfrentar a caça financiada pelo mercado de peles e a poluição provocada pelo ser humano, seu habitat está derretendo, por causa do aquecimento global.

Blocos de gelo

Apesar de nadar por grandes distâncias, o urso polar precisa descansar em blocos de gelo. Como esses estão cada vez mais raros, o urso acaba se afogando no mar. Além disso, o aumento da temperatura reduz a temporada de caça, e o urso polar morre de fome.

Na Baía de Hudson, no Canadá, de 20 anos para cá, o gelo derrete três meses antes do que era usual e a população de ursos polares diminuiu em 20%: a cada dez animais, dois morreram.

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é estudante de biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e aluna de Iniciação Científica do Mackpesquisa (PIVICK).<a href=mailto:pagina3@pagina3ped.com><u>pagina3@pagina3ped.com</u></a>

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