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Bumba-Meu-Boi - Folguedo é tradicional manifestação folclórica brasileira

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

O Bumba-meu-Boi é uma das manifestações folclóricas brasileiras mais conhecidas e populares. Trata-se de uma espécie de auto que mistura teatro, dança, música e circo. Nos diferentes estados onde ocorre, recebe diversos nomes, como Boi-Bumbá ou Boi-de-Parintins, no Amazonas; Bumba-Meu-Boi, no Nordeste; Boi-de-Mamão, em Santa Catarina; Boizinho, no Rio Grande do Sul, e outros.

Os personagens também variam por regiões: Pai Mateus, Cavalo-Marinho, Caipora e Maricotas de Corocó são alguns deles. Dançando e cantando, conta-se a história da morte e da ressurreição de um boi - uma história de certa forma metaforiza o ciclo agrário. Essa representação é realizada tanto nos festejos juninos quanto nos de Natal.

A provável origem do Bumba-Meu-Boi é o Nordeste das últimas décadas do século 18, onde a criação de gado era feita por colonizadores, com mão-de-obra escrava. Nas fazendas, as tradições africanas (como a do boi geroa) teriam se misturado às europeias (como as touradas) incorporando ainda, em certas regiões, elementos indígenas. Em geral, ocorria no dia de Reis e estava ligado ao ciclo de festas do Natal no sertão.



Boi-Bumbá

No Amazonas, a cerca de 400 Km de Manaus, desde 1913, se realiza o famoso Festival Folclórico de Parintins. As cores vermelho e azul, que representam respectivamente os bois Garantido e Caprichoso, tomam conta do bumbódromo, especialmente construído para a realização da festa que acontece no final do mês de julho.

O boi é feito com uma armação de cipó coberta de chita. A cabeça pode ser feita de papelão, papiê-machê ou com a própria caveira do animal.

A encenação pode ter várias formas, mas o enredo básico conta a história da escrava Catirina (ou Catarina), grávida, que pede ao marido Francisco que mate o boi mais bonito da fazenda porque quer comer a sua língua. Ele atende ao desejo da mulher e é preso pelo seu feitor, que tenta ressuscitar o boi, com a ajuda de curandeiros ou pajés. Quando o animal volta à vida, tudo é festa. Outros personagens podem participar: Bastião, Arlequim, Pastorinha, Turtuqué, o engenheiro, o padre, o médico, o diabo etc, todos quase sempre interpretados por homens, que também fazem os personagens femininos.



Garantido e Caprichoso

A história mais contada sobre a origem dos nomes dos bois, Garantido e Caprichoso, fala de um amor que o poeta Emídio Rodrigues Vieira teria pela mulher do repentista Lindolfo Monteverde. Ambos apresentavam seus bois todos os anos, até que Emídio desafiou: "Se cuide que este ano eu vou caprichar no meu boi". Ao que o repentista respondeu: "Pois capriche no seu que eu garanto o meu". A partir daí, a cada ano, um queria ser melhor do que o outro.

Apesar de a rivalidade ser uma das características da festa, as torcidas jamais devem vaiar a apresentação do boi adversário. Quando um torcedor do Garantido quer se referir ao Caprichoso, diz apenas "o contrário". E vice-versa. Os músicos que tocam no Caprichoso formam a Marujada, enquanto os do Garantido são a Batucada.

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