Geografia

Agronegócio: Atividade alavanca exportações do Brasil

Cláudio Mendonça

O agronegócio é formado por um conjunto de atividades interdependentes que têm em seu centro a agropecuária. Num dos pólos dessas atividades estão os fornecedores de máquinas, equipamentos e insumos agrícolas e, no outro, as atividades de processamento industrial, de distribuição e serviços.

Dessa forma, estão articulados três setores de atividade econômica: primário (agropecuária e extração vegetal), secundário (indústria) e terciário (distribuição e comercialização).

O agronegócio no Brasil

O agronegócio agrupa as atividades econômicas que mais cresceram no início do século 21 no Brasil. Em 2004, empregava a terça parte da população economicamente ativa (PEA) e contribuiu com 43% das exportações totais do país (US$ 39 bilhões, um recorde, com crescimento de 27% sobre as exportações de 2003) 34% do PÌB (Produto Interno Bruto).

Mas deve-se ressaltar que nessas cifras estão incluídas, além da produção agrícola, a extração vegetal (madeira), os insumos e equipamentos (como sementes, fertilizantes, defensivos, tratores e máquinas agrícolas em geral) como também o processamento industrial, transporte e comercialização, como pode ser verificado no esquema.

A safra brasileira de grãos bate sucessivos recordes a cada ano, a pecuária tem a maior fatia do mercado internacional, o suco de laranja tomou conta de quase todo o planeta (cerca de 80% do suco comercializado em todo o mundo). Acrescenta-se ainda a liderança de outros produtos como a carne de frango, o açúcar, o café, o tabaco, etc. Em relação ao conjunto de atividades que formam o agronegócio, a maior parte do valor do PIB é agregado nas atividades de industrialização e distribuição, restando apenas 30% para a agropecuária.

Problemas de logística

Apesar dos recordes sucessivos da safra brasileira na última década e da modernização do sistema produtivo, os sistemas de transporte e de armazenamento constituem graves entraves ao desenvolvimento contínuo, pontos frágeis que comprometem um melhor desempenho e a expansão do agronegócio no Brasil. Em outras palavras, o caminho da fazenda até o porto de exportação num país de grande dimensão territorial como o Brasil é muito longo, necessitando de silos para estocagem dos produtos e um bom sistema de transporte.

A performance conquistada pela produção agropecuária em particular e pelo agronegócio em geral esbarra em um sistema de transporte baseado em estradas de rodagem em péssimo estado de conservação e portos mal aparelhados para atender a crescente demanda das exportações brasileiras.

O transporte ferroviário é insuficiente, as hidrovias além da baixa extensão são subaproveitadas e, apesar do extenso litoral do país, a navegação de cabotagem não ocupa lugar de destaque. Mais que isso, não existe um planejamento adequado para melhor integração dos diferentes meios de transporte. Tudo isso compromete o custo final do produto, coloca em risco a competitividade e impede que muitos negócios sejam cumpridos nos prazos estipulados em contrato.

Modernização do subdesenvolvimento

É necessária uma ponderação final a respeito do triunfalismo freqüentemente alardeado ao agronegócio no Brasil. Os resultados econômicos surpreendentes da modernização do campo, através do agronegócio, reforçaram ainda mais a vulnerabilidade econômica que caracteriza um país exportador de produtos agrícolas ou de baixo valor agregado.

É crescente a participação das corporações multinacionais nas atividades mais lucrativas, como também é significativo o número de trabalhadores rurais contratados, pelas grandes empresas agropecuárias, apenas em épocas de plantio e de colheita.

Do outro lado desta estrutura moderna, vive um número expressivo de pequenos produtores rurais, marginalizados das políticas governamentais de crédito e apoio técnico à produção. Assim mesmo, apesar de todas as limitações e dificuldades, as pequenas e médias propriedades respondem pela maior parte do abastecimento do mercado interno brasileiro e pela maior parte dos empregos existentes no meio rural. De acordo com o 2º. Plano Nacional de Reforma Agrária, a agricultura familiar responde por 37,8% da produção, mas consome apenas 25,3% do crédito, enquanto a patronal, que responde por 61% da produção, consome 73,8% do crédito.

Poderiam, ainda, ser acrescentados os impactos ambientais do modelo de expansão agrária, que aceleram o desmatamento com a ocupação indiscriminada do solo e estimulam a concentração fundiária. O agronegócio já destruiu quase metade da região do cerrado brasileiro, onde existem mais de 400 espécies endêmicas de arbustos e uma diversidade de animais ameaçados de extinção.

A expansão da soja no Mato Grosso tem sido responsável pelo desmatamento recorde da floresta amazônica. Os impactos ambientais também estão associados à ampliação da exportação de madeira. Produtos derivados e móveis contribuem em média com 10% das exportações do setor.

Cláudio Mendonça é professor do Colégio Stockler e autor de "Geografia Geral e do Brasil" (Ensino Médio) e "Sociedade e Território no Mundo Globalizado" (Ensino Médio).

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