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Mangue - Características e importância para o ambiente

Luiz Carlos Parejo

O mangue é uma formação litorânea que se estende do Amapá até o Sul do Brasil e aparece em desaguadouros bastante planos de rios, junto à foz, apresentando um trecho meândrico característico (são rios sinuosos). Ele é comum nas reentrâncias da costa brasileira, como em baias e estuários.

No mangue, o relevo baixo e plano favorece a entrada de água salgada. Quando a maré está baixa a água doce do rio prevalece, mas quando a maré sobe a água do mar se mistura com a água doce tornando-a salobra.

Por causa dessa dinâmica, a vegetação é chamada de halófila, que nada mais é do que plantas que se adaptam à variação de sal na água e no solo. Neste ecossistema também encontramos grande número de pneumatóforas (plantas que respiram pelas raízes).

As áreas planas do mangue acumulam muitos sedimentos orgânicos e a presença de oxigênio é pequena, resultando na eliminação de um cheiro característico para a atmosfera, que possui um odor, às vezes, forte. Este cheiro incomoda algumas pessoas que vêem no mangue um lugar inadequado para viverem, transformado-os em lixões ou aterrando-os.

O solo lodoso dificulta a fixação das plantas (árvores e arbustos), por isso elas apresentam raízes-escoras ou aéreas. Características do mangue vermelho, as raízes se aprofundam na lama até conseguirem se firmar para suportar a entrada das marés altas e as enxurradas dos rios e se prolongam até o ponto um pouco superior ao alcance da maré alta, o que permite a respiração pelas raízes.

Importância

Por causa das suas raízes aéreas, o manguezal absorve o impacto das ondas maiores e impedindo que ocorra a retirada de solo e ajudando a evitar a erosão marinha. Além disso, reduz a velocidade das águas fluviais o que aumenta a deposição de sedimentos.

Vários peixes e crustáceos marinhos desovam no mangue, pois é um ambiente seguro de predadores (as raízes protegem os animais menores) e com muito alimento, por isso é considerado um verdadeiro berçário marinho. Existem ainda várias espécies de plantas e animais endêmicas dos mangues.

Vários manguezais brasileiros sofrem com a ação humana inadequada, como em áreas de Pernambuco, onde o mangue foi transformado em um lixão e os seus moradores, conhecidos na década de 1950 como homens caranguejos - pois capturavam caranguejos para vender e se alimentar - passaram a ser chamados de homens gabirus, sobrevivendo do lixo. Em Cubatão (SP) o mangue foi ocupado por um centro urbano industrial que despeja esgotos e metais pesados.

Muitos pesquisadores preocupados com manutenção da biodiversidade do mangue e com a disponibilidade de peixes e crustáceos no litoral defendem uma política enérgica de preservação para esta área tão importante.

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Luiz Carlos Parejo é geógrafo e professor de geografia.

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