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Napoleão (2) - Bloqueio continental e Congresso de Viena

Túlio Vilela

A paz assinada com os britânicos dura pouco. Em 1803, a Inglaterra, a Rússia e a Áustria formam uma aliança contra a França. Dois anos depois, Napoleão tenta invadir a Inglaterra, mas a marinha francesa é derrotada na batalha de Trafalgar. Se no mar os franceses eram derrotados, em terra a situação era oposta: o exército francês vence os exércitos russo e austríaco, na batalha de Austerlitz, em 1806.

As vitórias francesas no norte da Europa causaram o fim do Sacro Império Romano Germânico, que existia desde o século 5. No seu lugar, surgiu a Confederação do Reno. Para aumentar sua autoridade na Europa, Napoleão casa-se em 1810 com Maria Luísa, filha do imperador da Áustria, Francisco 2º.

Bloqueio Continental

Mas seu grande adversário é a Inglaterra. Como não pode vencê-la por mar, Napoleão decide "matar os ingleses de fome" impondo o Bloqueio Continental, que decreta o fechamento dos portos da Europa continental ao comércio inglês. A ideia é isolar a Grã-Bretanha (a ilha onde se localiza a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales) e as outras ilhas britânicas.

Para obrigar o cumprimento dessa medida, Napoleão ordena, em 1807, uma intervenção militar na Espanha, em cujo trono, colocou seu irmão José Bonaparte. O povo espanhol não aceita o novo rei e muitos espanhóis decidem resistir, pegando em armas contra o exército francês. O pintor espanhol Francisco Goya viveu nessa época e pintou quadros mostrando a violência do exército francês contra o povo espanhol.

  • Quadro de Goya retrata o fuzilamento de espanhóis pelas tropas napoleônicas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A violência do expansionismo napoleônico na Espanha é interpretada como a negação dos ideais da Revolução Francesa. Por outro lado, a ocupação extinguiu os tribunais da Inquisição, que ainda era bastante atuante em terras espanholas. A ocupação da Espanha teve consequências também para as colônias espanholas na América, originando lutas que culminaram na independência de várias colônias.

No mesmo ano de 1807, Napoleão ordena que seu exército invada também Portugal, pais aliado da Inglaterra. Para escapar das tropas de Napoleão que invadiram Portugal, a família real portuguesa, escoltada pela marinha inglesa, foge para o Brasil - processo que também culmina na nossa Independência.

Queda de Napoleão

Apesar dos esforços de Napoleão, o Bloqueio Continental era cada vez mais ignorado por meio do contrabando. Aos poucos, o prestígio político de Napoleão entre os franceses foi se desgastando. Embora boa parte da Europa estivesse sob seu controle, as guerras intermináveis e o grande número de baixas militares resultaram na insatisfação do povo francês.

Era cada vez maior o número de jovens que tentavam fugir do serviço militar obrigatório (ironicamente, uma das "conquistas" da Revolução Francesa). Em 1810, o czar (como era chamado o imperador da Rússia) rompeu o Bloqueio Continental ao comerciar com a Inglaterra. Em represália, Napoleão ordena que o exército francês invada a Rússia.

Após entrar com facilidade no território russo, o exército francês se deparou com um problema: a cidade de Moscou estava abandonada. Antes de irem embora, os habitantes incendiaram tudo e levaram toda a comida embora. Era a tática da "terra queimada" cujo objetivo era tornar impossível a sobrevivência do exército inimigo.

Sem comida e abrigo, os soldados franceses não puderam resistir ao rigoroso inverno russo, caracterizado por chegar a temperaturas muito abaixo de zero. O exército francês foi embora da Rússia. Muitos soldados franceses acabaram vitimados pelo frio e pela fome. O episódio foi uma grande derrota para a França e fortaleceu a Inglaterra e seus aliados.

O exílio em Elba e os "Cem dias"

Em 1814, Napoleão foi obrigado pelos seus inimigos a renunciar e foi exilado na ilha de Elba. A França foi ocupada pelos vencedores, que restabeleceram a monarquia colocando no trono Luís 18, irmão do rei guilhotinado. A volta da monarquia atraiu os nobres franceses que haviam fugido do país no começo da Revolução. Esses nobres tentaram recuperar os seus antigos privilégios, o que gerou insatisfação popular.

Aproveitando-se dessa insatisfação, Napoleão tramou sua volta: fugiu da ilha onde estava preso e, com a ajuda de um pequeno exército, retomou o poder em março de 1815. Mas dessa vez, seu governo durou pouco: apenas cem dias. Napoleão foi derrotado definitivamente na batalha de Waterloo, na Bélgica em junho de 1815, vencida por tropas inglesas e prussianas. Dessa vez, os ingleses o enviaram para um lugar mais distante: a ilha de Santa Helena, no Atlântico sul, onde morreu em maio de 1821.

O Congresso de Viena

Pouco depois da derrota de Napoleão na Rússia, a Inglaterra e seus aliados se reuniram no Congresso de Viena, na Áustria, para decidir o futuro da Europa. O Congresso foi interrompido durante os cem dias do último governo de Napoleão. Ao voltarem a se reunir, os representantes dos países vencedores decidiram tomar medidas para a volta do Antigo Regime e para evitar novos movimentos revolucionários. Ou seja, que a situação voltasse a ser a mesma que era antes da Revolução Francesa.

Para isso, foi criada a Santa Aliança, uma aliança militar formada pelos exércitos monárquicos de vários paises para intervir em qualquer país onde surgissem movimentos anti-monárquicos. Mas os tempos haviam mudado, o Antigo Regime pertencia ao passado e os monarcas tiveram que adotar constituições. A derrota de Napoleão não foi suficiente para acabar com os ideais democráticos da Revolução Francesa.

Túlio Vilela formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto).

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