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Vencedores da Olimpíada de Língua Portuguesa 2010: Lobos disfarçados de cordeiros

Aluna: Marcia Santiago dos Santos
Professora: Maria Lucely Soares de Melo
Escola: E. E. Manoel Lúcio da Silva; Cidade: Arapiraca – AL


Arapiraca, principal cidade do agreste alagoano, popularmente conhecida como “Terra do Fumo”, apesar de ser a segunda maior cidade do Estado e atualmente passar por um processo de desenvolvimento socioeconômico muito rápido, mantém viva uma tradição religiosa muito fervorosa, preservada pela maioria de seus habitantes, que são católicos. No entanto, nos últimos meses, nossa cidade teve sua fé abalada devido a um fato que chocou não só a sociedade arapiraquense, mas o país inteiro.

Em março deste ano foi exibido nacionalmente, por uma emissora de grande porte, um vídeo que denunciava um caso de pedofilia envolvendo padres da Igreja Católica de nossa cidade, provando algo que vem acontecendo há muito tempo no mundo todo e que, até então, só se tinha como prova a palavra das vítimas contra a dos “santos padres”. Esse acontecimento fez reacender uma antiga polêmica, levando a sociedade a questionar-se acerca do fim do celibato como principal medida a se tomar para erradicar a pedofilia e o homossexualismo na Igreja Católica.

A sociedade, abalada com essas revelações, devido ao fato de um dos padres envolvidos – de mais de 80 anos x – ser visto como uma santidade por muitos em nosso Estado, mostra-se em sua maioria a favor do fim do celibato. Em um artigo para o jornal Le Monde o renomado teólogo católico Hans King, suíço-alemão, presidente da Fundação Ética Mundial, se pergunta: “Qual é a melhor formação para as gerações futuras de padres?”, e ele mesmo responde: “A abolição da regra do celibato, raiz de todos os males, e a abertura da ordenação às mulheres”. Para ele o celibato é a principal causa dos escândalos ocorridos na Igreja e pelo déficit do número de padres.

Entretanto, do meu ponto de vista, o celibato não deve ser abolido da cultura da Igreja Católica,e nem pode ser associado à pedofilia, pois um não leva consequentemente ao outro, ou seja, uma pessoa não se torna pedófila por ser celibatária e sim porque, segundo especialistas, essa pessoa possui um distúrbio psicológico que aguça esse desejo sexual por crianças. Sendo assim, mesmo que o celibato chegue ao fim e os padres possam assumir sua vocação sacerdotal contraindo também o matrimonio, não estarão livres desse distúrbio, podendo vir a ser um pedófilo mesmo sendo casado, tendo sua mulher e seus filhos.

Devemos nos lembrar também de todos os outros casos de pedofilia envolvendo homens casados e até pais que abusam sexualmente dos próprios filhos. Além disso, acredito que essa tentativa de associar a pedofilia ao celibato seja um ataque direto à Igreja Católica, pois sabemos bem a influência que ela exerce, mesmo nos dias atuais, sobre os conceitos de moralidade e valores da população católica, que ainda é maioria no mundo.

Enfim, penso que, ao analisar essa questão tão polemica, devemos, sem dúvida, levar em consideração a cultura e a fé católica, pois não se podem julgar os preceitos da Igreja pelos erros de padres que não souberam escolher seu caminho, que não honraram a confiança que os fiéis depositaram neles ou que sofrem distúrbios como esse. Todavia, não se pode isentar a Igreja de sua responsabilidade de identificar esses padres e excluí-los da instituição, visto que não são mais exemplos de pastores para o seu rebanho, cabendo à Justiça a condenação pelos seus erros.

Dessa forma, espero que a cultura e a fé católica se recuperem de mais esse escândalo e a instituição passe a analisar melhor as pessoas que são colocadas a serviço de Deus, para que não haja mais casos como esse, pois é muito provável que, diante de todo esse apelo midiático, esses casos se exterminem, porém há outros, em nossas casas, escolas... casos estes em que as pessoas parecem ser cordeiros, quando, na verdade, são lobos disfarçados, como os padres de Arapiraca envolvidos nesse escândalo.

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