Química

Polímeros e resinas sintéticas: Um mundo sem plásticos hoje seria um pesadelo

Carlos Roberto de Lana

Quer ter uma idéia da importância dos polímeros sintéticos, popularmente conhecidos como plásticos, em sua vida?

Imagine que, uma noite, enquanto você dormia, todos os plásticos e sintéticos derivados tivessem desaparecido completamente da face da Terra. A primeira coisa que você iria perceber, ao acordar, é que estaria descoberto, pois seu cobertor, de fibra acrílica, sumiu.

Estranhando o fato, você levanta da cama e sente a aspereza do contrapiso de cimento sob os pés, pois o carpete de poliamida (Nylon) não está mais lá. Sem entender o que se passa, achando que ainda não acordou direito, você resolve lavar o rosto e escovar os dentes, na esperança de que estas coisas estranhas sejam apenas um sonho que durou mais tempo do que devia.

Sem água, luz telefone

Nada feito. A escova de dentes, feita de polipropileno e Nylon, não está lá. Você abre a torneira e nada de água. Os tubos de PVC que deveriam alimentar a torneira também sumiram de dentro da parede.

Assustado com toda esta loucura, você resolve telefonar para alguém e perguntar se isso está acontecendo em mais algum lugar ou se é você que está ficando louco. Só que onde deveria estar o aparelho de telefone feito de ABS (acrilonitrila-butadieno-estireno) não restou nem o tapetinho, feito de fibras de polipropileno.

Com que roupa?

Desesperado, você resolve sair de casa e descobrir o que está acontecendo. Antes precisa se vestir, para isto abre as gavetas e... onde estão as roupas de poliéster? Tudo bem, você pega aquela velha bermuda de algodão e procura seu tênis que... é feito de Nylon. Esquece os tênis, tem aquele sapato de couro, mas... cadê os cadarços, feitos também de fibra de polipropileno?

Cada vez mais assustado, você corre para o seu carro, mas não consegue abrir a porta. A maçaneta feita de Nylon não está lá. Você olha pelo vidro e descobre que a maioria das peças de comando sumiu, a começar do painel com todas as suas alavancas e botões. Os pára-choques de polipropileno reforçado deixaram os suportes metálicos expostos e, mesmo que não fosse vista, uma infinidade de pequenas peças, indispensáveis ao funcionamento do carro, não estava mais disponível. Se estivessem de nada adiantaria. Sem o polibutadieno (borracha sintética) seus pneus já eram.

Curto-circuito

Você volta para casa, tenta acender a luz, mas não encontra o interruptor (Nylon). Mesmo que encontrasse não haveria energia elétrica, sem o PVC usado no isolamento elétrico dos fios, todos os circuitos entrariam em curto assim que ligados.

Você lamenta a falta de energia, pois não pode ligar a TV ou acessar a Internet para saber o que está acontecendo. Só que assim que olha estes aparelhos descobre que o seu computador praticamente sumiu, sem o ABS da caixa do monitor, teclado, painel e sem o epóxi das placas de circuito impresso, seu computador ficou reduzido a um esqueleto de cobre retorcido. Isso também aconteceu com sua TV e a maioria de seus eletrodomésticos.

Um sonho apavorante

Nervoso, você resolve comer e beber alguma coisa para se acalmar e decidir o que fazer. Abre a geladeira e vê que todas as suas bebidas se espalharam no fundo dela, sem as garrafas PET (polietileno tereftalato) que as continham. Todas as outras embalagens alimentícias feitas de filmes de polietileno também sumiram, transformando sua comida em uma gosma na qual é impossível distinguir o que era o quê.

Você se senta no chão da sala, já que seu sofá estofado de espuma de poliuretano virou uma armação de madeira, e olha para as paredes que expõe a massa fina de cimento, não mais cobertas pela fina camada de PVA (acetato polivinila) da tinta. Olha para o chão e vê a madeira rústica do assoalho, que não brilha mais sem a resina de poliuretano que o revestia.

Você resolve, então, voltar para a cama. Felizmente a armação é de madeira e o colchão de molas é revestido de algodão. Estirado sobre este leito rústico, você volta a dormir. Ao acordar, vê que seu carpete, tênis, roupas, eletrodomésticos e demais transformados plásticos estão todos lá. A conclusão que você extrai não pode ser outra: um mundo sem plásticos hoje seria um pesadelo.

Carlos Roberto de Lana é professor e engenheiro químico.

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