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Comunismo - Origens - Ideologia comunista remonta à Antiguidade

Renato Cancian, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O comunismo é uma ideologia que prega a abolição da propriedade privada e o fim da luta de classes, além da construção de um regime político e econômico que possibilite o estabelecimento da igualdade e justiça social entre os homens.

Os filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) são apontados como os precursores das formulações teóricas e doutrinárias do comunismo. Historicamente, porém, as concepções e ideais de uma sociedade comunista remontam ao período da Antiguidade clássica. Nos séculos seguintes (que abrangem os períodos da Idade Média e Moderna), a ideologia comunista sofreu constantes reformulações.

Origens dos ideais comunistas

Os ideais comunistas floresceram no período da Antiguidade clássica a partir do pensamento do filósofo grego Platão (428 ou 427 a.C.). Em um de seus livros mais importantes, intitulado "A República", Platão concebe um modelo ideal de sociedade a partir da supressão da propriedade privada e da família.

De acordo com Platão, o fim da propriedade privada levaria ao fim do conflito entre o Estado (concebido como a manifestação do interesse público) e cada cidadão em particular (concebidos como a manifestação dos interesses privados). A abolição do núcleo familiar, por sua vez, teria como resultado uma maior devoção ao bem público.

Dessa forma, os vínculos matrimoniais deixariam de existir e o acasalamento entre homens e mulheres deveria ser temporário. Os filhos que nascessem deveriam desconhecer os pais e ficar sob cuidados permanentes do Estado, que proveria o sustento e a educação.

Paradoxalmente, os ideais comunistas platônicos não interferem nas diferenças de status existentes entre os cidadãos e não-cidadãos (classes inferiores, escravos) que coexistiam nas cidades-estados gregas. Em nenhum momento, no livro "A República", Platão questiona a emancipação dos escravos, que estão destinados a prover os meios de subsistência aos cidadãos gregos.

Comunismo e período medieval

Entre os séculos 12 e 15 apareceram algumas ideais comunistas baseados em pressupostos religiosos do cristianismo primitivo. Os cátaros (do grego kataroi, que significa "puro") e os valdenses (seguidores de Pierre Valdo, um rico comerciante francês que abandonou todos os seus bens) se constituíram em dissidências da Igreja Católica.

Em suas pregações, os adeptos desses grupos repudiavam a propriedade privada, exaltavam a pobreza e a necessidade de uma vida comunitária onde todos deveriam trabalhar e conviver igualitariamente.

O abade Joaquim de Fiore, o franciscano frei Dolcino e o protestante Thomas Munzer também foram líderes de movimentos religiosos dissidentes que pregavam a fraternidade e a comunhão universais entre os homens. Esses líderes incentivavam a supressão da propriedade privada (incluindo bens materiais em geral) e a convivência humana dentro de padrões de uma vida simples (ou seja, a pobreza).

Os líderes ortodoxos da Igreja Católica consideraram todos esses movimentos comunistas cristãos como heréticos e uma séria ameaça à instituição eclesiástica. Nos séculos seguintes, a perseguição e a repressão aos líderes desses movimentos os levaram ao declínio e à extinção.

Renato Cancian, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política - 1972-1985".

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