Sociologia

Conservadorismo - origens: Mudança deve ser reflexo da dinâmica social

Renato Cancian, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O substantivo "conservadorismo" e o adjetivo "conservador" são termos empregados de forma recorrente na linguagem cotidiana e nos estudos acadêmicos, mas carecem de uma definição consistente. De fato, não há uma conceituação e um significado único para ambos os termos.

De modo geral, "conservadorismo" e "conservador" são palavras empregadas para se referir a práticas, atitudes e ideias que estão relacionadas com a esfera da política.

Adotando uma "definição mínima", podemos conceber o conservadorismo como a defesa da manutenção da ordem social ou ordem política existente, em contraposição às forças que buscam a inovação.

Com base nesta definição, a atitude conservadora também pode ser entendida como uma reação defensiva, visando à preservação do status quo, em oposição às tentativas de mudança ou ruptura.

Origem histórica

Se considerarmos as práticas e atitudes conservadoras como formas de ações reativas às ameaças de mudança, sejam elas sociais, econômicas ou políticas, é possível contextualizarmos o surgimento do termo "conservador" na fase de transição da ordem social tradicional para o mundo moderno, que corresponde ao período de superação do modo de produção feudal (onde a sociedade era predominantemente agrária) pelo modo de produção capitalista (que, posteriormente, conduzirá à formação da sociedade industrial).

Essa transição ocorreu, primeiramente, na Europa Ocidental - e depois se alastrou para o resto do mundo. O desenvolvimento do capitalismo e a ascensão da burguesia, enquanto classe social dominante, subverteram a ordem social tradicional.

As revoluções burguesas na Inglaterra (em 1640) e na França (em 1789) abalaram fortemente as estruturas do pensamento e dos valores tradicionais baseados numa visão antropológica tradicional, que considera as sociedades como imutáveis, estáticas, e o conflito social como fenômeno degenerativo e anômico.

No lastro dos movimentos revolucionários europeus dos séculos 17 e 18, emergiu, assim, a polarização conservadorismo/progressismo.

O pensamento conservador deu origem a posições políticas que se caracterizam pela manutenção da ordem social, econômica e política vigente.

Isso não significa, contudo, que os conservadores se opõem a toda ou qualquer mudança social. Para os conservadores, mudanças sociais são aceitas desde que ocorram gradualmente e sejam reflexos ou consequências da dinâmica social, e não por meios revolucionários.

Os progressistas, ao contrário, consideram a mudança social por meios revolucionários como benéfica para a sociedade. Os primeiros ideólogos liberais progressistas nutriam uma visão otimista das potencialidades do homem e da ação política transformadora das condições existenciais e da natureza. Para eles, as mudanças sociais, sejam elas graduais ou súbitas, são necessárias e sempre conduzem ao aperfeiçoamento humano.

O progressismo, dessa forma, foi um poderoso instrumento ideológico que serviu aos interesses revolucionários das classes burguesas.

Renato Cancian, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é cientista social, mestre em sociologia-política e doutor em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política - 1972-1985".

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