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Professores das universidades estaduais da Bahia estão em greve

Heliana Frazão

Especial para o UOL Educação<br>Em Salvador

26/04/2011 20h00

Os professores da Uneb (Universidade do Estado da Bahia) decidiram, em assembléia realizada nesta terça-feira (26), suspender as atividades por tempo indeterminado. A decisão foi acatada por 157 dos 187 professores presentes ao ato. Com a paralisação da Uneb, todas as universidades estaduais da Bahia estão sem atividades, deixando cerca de 60 mil alunos sem aulas.

A suspensão das atividades foi sendo decidida paulatinamente nas universidades baianas. Há quinze dias, foram os professores da Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana) que decidiram cruzar os braços, três dias antes os docentes da Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) e da Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz) já haviam feito o mesmo.

A categoria protestou desde o início do dia no campus e chegou a fazer uma queima do Judas com a imagem do governador Jaques Wagner, simbolizando o que eles definiram como “traição do governador às demandas da Educação”. A queima de Judas teve direito até a testamento. A categoria aprovou o indicativo de greve em assembleia geral no dia 13 de abril.

As principais reivindicações dos professores são a revogação do decreto 12.583, baixado em fevereiro deste ano, que restringe o orçamento da universidade e impede a contratação de professores substitutos; e a retirada do acordo proposto pelo governo de uma cláusula que congela o salário dos professores até 2015. Esta cláusula, segundo os docentes, foi apresentada no último momento durante negociações salariais em dezembro do ano passado e adotada de forma unilateral pelo governo.

A Aduneb (Associação dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia) garante que a medida se faz necessária, “uma vez que, todos os recursos foram utilizados na tentativa de sensibilizar o governo a reabrir as negociações da campanha salarial 2010 e a revogar o decreto, bem como não interferir nos processos de promoção, progressão e mudança de regime de trabalho”.

Já o governo interpreta a “radicalização” do movimento como uma “disputa política”. O coordenador de educação superior da Secretaria de Educação do Estado, Clóvis Caribé, diz que em momento algum o governo encerrou o diálogo, e ainda deu garantias de que a classe não sofrerá perdas salariais até 2015.

“Tínhamos uma reunião marcada para o dia 15, e fomos surpreendidos com o anuncio da deflagração da greve na Uefs. Ainda assim, sentamos e propusemos encaminhar uma nova redação do acordo, garantindo que não haverá perdas, o que foi feito no dia 20. Esperávamos a resposta da categoria para amanhã, 27, quando fomos novamente surpreendidos com a greve na Uneb. Continuamos esperando. O governo não está fechado; ao contrário, estamos abertos para negociar”, afirmou.

Na próxima quinta-feira, 28, os professores prometem realizar um grande ato público no centro da cidade, partindo da frente do Teatro Castro Alves, na Praça do Campo Grande, às 15h.

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