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Melhor colégio de SP no Enem por escola "estuda" o aluno antes de aceitar matrícula

Aluno do Colégio Vértice, em São Paulo - Juca Varella/Folhapress
Aluno do Colégio Vértice, em São Paulo Imagem: Juca Varella/Folhapress

Suellen Smosinski

Em São Paulo

12/09/2011 03h00

O colégio Vértice, melhor escola de São Paulo e a terceira melhor do país no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2010, não recebe matrículas de alunos para o 3º ano do ensino médio. Para ser aceito no 2º ano, o estudante deve estar "muito alinhado com o conteúdo". Segundo Adilson Garcia, um dos diretores do colégio, a maior entrada de alunos novos acontece no 1º ano - são aproximadamente 15 ingressantes.

COLÉGIO VÉRTICE

REDEParticular
MÉDIA TOTAL743,75
POSIÇÃO NO RANKING GERAL
TAXA DE PARTICIPAÇÃO84,4%

Mesmo sem vestibular, não é tão fácil estudar no colégio. As vagas para a educação infantil (a partir de três anos) e para o fundamental 1 são preenchidas por ordem de chegada, após reuniões com os diretores e visitas monitoradas pela escola. Para ingressar no fundamental 2 ou no ensino médio, as exigências aumentam: "Damos prioridade para famílias que já tenham outras crianças na escola e para pais ou mães que já foram nossos alunos", explica Garcia. Alunos que não preencham essas condições são convidados a passar um dia no colégio, quando serão avaliadas as formas como eles registram as aulas e fazem os exercícios, além dos materiais que utilizam nas outras escolas.

De acordo com Garcia, se mesmo após estas etapas a dúvida sobre a aceitação do aluno persistir, é pedido que o interessado faça uma redação e exercícios de matemática. Se for aceito, o aluno ainda terá que pagar a quantia de R$ 2.998 por mês.

Entretanto, Garcia enfatiza que “nunca foi pretensão do colégio trabalhar só com uma elite intelectual”. Caso contrário, selecionariam seus alunos por meio de vestibulinho e a “média nas avaliações provavelmente subiria”. “O que nos interessa é que cada um deles [alunos] possa pensar um projeto de vida e que a escola consiga dar condições para isso. Trabalhamos com uma preparação para a vida realmente”, explicou o diretor.

“Os alunos estudam o tempo todo”

Além de um forte sistema de avaliações, os alunos do terceiro ano fazem também muitos simulados, “são 20 ou 25 por ano”. E alguns desses simulados são as provas anteriores do Enem.

A média dos alunos é composta por dois tipos de notas: as quantitativas, que medem o conhecimento específico das disciplinas, e as qualitativas, responsáveis por medir a atitude e o comprometimento dos alunos. O diretor explica que a nota qualitativa é mais importante que a quantitativa, pois “mede o conjunto das atitudes e a responsabilidade dos estudantes”.

Na visão de Garcia, uma característica que é muito forte no colégio e pode ser considerada um dos principais motivos de bons resultados, como no Enem por Escola, é a estratégia para formação de hábito de estudo. “Aqui, os alunos estudam o tempo todo e não somente nas épocas de prova”. Ele explica que esse trabalho é realizado desde cedo, com o objetivo de mostrar a importância da educação: “Primeiro é preciso despertar o interesse por meio da curiosidade, depois vem a vontade de estudar e a rotina, que acaba virando um hábito”.

“Não temos uma preparação especial para o Enem”

Garcia acredita que o surgimento do Enem foi uma feliz coincidência para o colégio, pois o exame aborda competências e habilidades desenvolvidas pela escola há 35 anos. Mesmo com a boa colocação, ele afirma que não existe nenhuma preparação especial para o exame: "Nós temos a preocupação de preparar nossos alunos para as melhores universidades e para o mercado de trabalho. Essa preparação também é muito importante para o Enem".

Segundo o diretor, o percentual de aprovações nas universidades públicas de São Paulo (USP, Unesp, Unicamp, UFSCar, Unifesp) fica em torno de 60%. “Ano passado tínhamos 62 alunos no 3º ano e 22 entraram na USP. É um percentual muito alto”, afirmou Garcia. Ele disse ainda que a maioria dos alunos quer cursar instituições públicas, mas alguns acabam optando por faculdades particulares como o Insper e a FGV.

Professores são diferencial

O Vértice possui um quadro atual de 86 professores. Segundo Garcia, 80% deles trabalham somente no colégio e 60% estão no Vértice há pelo menos 10 anos. Outros 10% são ex-alunos que resolveram torna-se professores e trabalhar na ex-escola.

“Os professores são nosso diferencial. Por isso, é importante que você dê condições adequadas de trabalho e pague um salário digno para que eles consigam viver bem. Temos também muita preocupação com o aperfeiçoamento dos nossos docentes e investimos em capacitação permanente”, disse Garcia.

Aulas e estrutura

Os alunos do 3º ano do ensino médio têm aulas em período integral - todas as manhãs e tardes. Já para os 1º e 2º anos, as aulas são semi-integrais: todas as manhãs e duas tardes. Na segunda metade da tarde, as aulas são opcionais e extracurriculares. “Um grupo faz aulas de arte e modelagem, outro arte e fotografia, arte e sapateado, filosofia. Os pequenos têm aulas de culinária, música, teatro. A escola é dinâmica, toda semana temos palestras e oficinas. É difícil acompanhar tudo, temos até aula de tricô”, disse Garcia.

No ensino médio, os estudantes ainda contam com orientação vocacional, plantões e reforços. Acompanhando a tendência de muitos vestibulares, algumas aulas são ministradas de forma interdisciplinar. O diretor do colégio conta que muitas vezes dois ou três professores dão aulas juntos para uma mesma sala.

As maiores turmas da escola têm 34 alunos, sendo duas do 2º ano do ensino médio e uma do 3º. O ano letivo começou com 1.014 alunos matriculados. Apresentando uma baixa taxa de desistência, o colégio tem hoje aproximadamente 995 estudantes.

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