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"Nota" do final do ensino fundamental estaciona e sobe só 0,1 ponto; anos iniciais têm nota 5

Rafael Targino

Do UOL, em São Paulo

2012-08-14T17:21:02

2012-08-16T16:50:12

14/08/2012 17h21Atualizada em 16/08/2012 16h50

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2011, divulgado nesta terça-feira (14), mostra que, enquanto a nota dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) manteve seu ritmo de crescimento e subiu 0,4 nos últimos dois anos (chegando a 5), a nota dos anos finais (6º ao 9º ano) praticamente estacionou e cresceu apenas 0,1 ponto.

Ideb 2011 - Brasil

 ÍndiceMeta
1º-5º ano fundamental5,04,6
6º-9º ano fundamental4,13,9
Ensino médio3,73,7

Em 2011, os anos finais ''tiraram'' 4,1, contra 4,0 em 2009, 3,8 em 2007 e 3,5 em 2005. Ou seja: a cada etapa, a nota tem crescido menos. Apesar disso, em 2011, a etapa cumpriu a meta, que era de 3,9.

A "nota" do ensino médio, que já havia tido em 2009 um crescimento reconhecido como ''baixo'' pelo então ministro da Educação Fernando Haddad, continua crescendo muito lentamente: avançou também só 0,1 - ficando em cima da meta, que era de 3,7.

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) trabalha com uma meta de 4,4 em 2013. Ou seja, para que a ''nota'' atual chegue à que o governo quer, seria preciso pelo menos triplicar o ritmo atual de crescimento (subir 0,3 ao invés de 0,1). Em 2021, a expectativa é que o índice chegue a 5,5.

Todas as "notas" do Ideb estão em uma escala que vai de 0 a 10.

Anos finais: "Nota" x Meta

 200520072009201120132015201720192021
Nota3,53,84,04,1-----
Meta-3,53,73,94,44,75,05,25,5
  • Fonte: Inep/MEC

Quando são consideradas somente as escolas públicas, a "nota" dos anos finais cai mais 0,2 e vai a 3,9 (acima da meta específica de 3,7). A diferença em relação às particulares é grande: quando é feito o cálculo somente com elas, o índice sobe para 6,0 (abaixo da meta para a categoria, que era 6,2). 

Roraima é um caso de destaque negativo: havia tirado 3,7 em 2009, ficando exatamente em cima da meta Brasil de então. Em 2011, a nota permaneceu a mesma -o que colocou o Estado abaixo da meta nacional.

"Nó invisível"

Para a diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, os últimos anos do ensino fundamental são, de certa forma, esquecidos. Essa é a etapa mais desassistida. Ela tem uma crise de identidade porque nem é [exclusivamente] municipal, nem é [exclusivamente] estadual como é o caso dos fundamental 1 [predominantemente municipal] e do ensino médio [que é estadual, em sua maioria]", diz.

''[Essa etapa] é o nó invisível: a evasão se intensifica, a repetência aumenta e ganho de conhecimento perde fôlego'', afirma Priscila. ''[O fundamental 2] está espremido, a gente tem que dar uma atenção especial à essa etapa.''

Segundo ela, não se pode esperar um movimento natural de crescimento como resultado das boas notas dos anos iniciais. ''Se não tiver políticas específicas para essa etapa, [ela vai acabar] barrando crescimento do fundamental 1'', diz. 

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Investimentos

Para o pesquisador Tufi Machado Soares, da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), é preciso investir na segunda etapa do ensino fundamental e manter o atual nível de investimentos da primeira etapa, de forma a melhorar . ''[A segunda etapa] Não está correspondendo. ela está recebendo alunos de qualidade melhor, mas não está retornando [qualidade] para eles na mesma proporção.''

''Espero que os efeitos que a gente está colhendo no primeiro segmento [anos iniciais] repercutam no segundo segmento. É de se esperar que isso aconteça em alguns anos, por conta das fortes intervenções que estão sendo feitas no primeiro segmento", disse. 

Anos iniciais

Seguindo uma tendência registrada desde 2007, a "nota" do 1º a 4º anos do ensino fundamental -os anos iniciais- subiu mais 0,4 entre 2009 e 2011, chegando a 5,0. A meta do governo para 2021 é que essa nota seja 6, um índice comparável aos dos países desenvolvidos. A nota do país em 2011  já superou, inclusive, a meta de 2013

Anos iniciais: "Nota" x Meta

 200520072009201120132015201720192021
Nota3,84,24,65,0-----
Meta-3,94,24,64,95,25,55,76,0
  • Fonte: Inep/MEC

Somente Alagoas não atingiu uma "nota" maior que 4 nesta etapa, chegando a 3,8. Em 2009, nove Estados estavam na mesma situação (índices abaixo de 4). Apesar disso, onze UFs não conseguiram cumprir a meta nacional, de 4,6: Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Bahia.

''[O Ideb do dos anos iniciais] cresceu bem'', diz Priscila. Nessa etapa, o desafio, afirma, é ''manter o ritmo [de melhoria]". 

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