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Ex-reitores da UEG tem bens bloqueados por suspeita de desvio para campanha

Lourdes Souza

Do UOL, em Goiania

19/02/2013 19h38

A Justiça de Goiás determinou o bloqueio dos bens de dois ex-reitores da UEG (Universidade Estadual de Goiás), José Izecias de Oliveira e Luiz Francisco Arantes, e do ex-defensor-geral do Estado de Goiás, João Paulo Brzezinsk, além do ex-prefeito de Anápolis, Pedro Sahium, por suspeita de desvio de R$ 425,3 mil de convênios firmados com a instituição de ensino.

A decisão do juiz Rinaldo Aparecido Barros, da 11ª Vara Criminal de Goiânia, atendeu ao pedido do MP-GO (Ministério Público de Goiás (MP-GO) e acionou ainda outros três envolvidos Francisco Afonso de Paulo, ex-coordenador de contratos e convênios da UEG, Carlos Roberto da Silva, servidor comissionado da UEG, e Paulo Henrique Sahium, tecnólogo em processamento de dados.

De acordo com o juiz, o bloqueio, que atingiu os sete envolvidos, tem como objetivo garantir uma futura indenização ou reparação ao erário ou mesmo evitar que alguém obtenha lucro com possível prática criminosa.  O desvio financeiro, segundo as investigações do MP-GO, foram para beneficiar a campanha política para deputado federal disputada por Izecias, em 2006.

O ex-reitor se afastou da instituição de ensino em março de 2006 para participar da eleição, mas não obteve êxito nas urnas. Na Operação do MP-GO, que foi batizada de Boca do Caixa, os investigadores apuraram que o dinheiro desviado era de um convênio entre a UEG e do Sinepe-GO (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Goiás) para a qualificação de todos os professores da educação básica. 

A parceria foi celebrada para cumprir a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), que exigia que a medida fosse executada até 2006. Para participar dos cursos, os professores pagavam para o Sinepe-GO, que repassava os recursos para a UEG.

Desvio

Mas, em agosto de 2006, o destino do dinheiro oriundo dos cursos passou para a conta do Ibepet (Instituto Brasileiro de Ensino, Pesquisa, Extensão e Tecnologia), cujo proprietário era o advogado João Paulo Brzezinsk, que advogava para José Izeciais.

Sem ter contratos firmados com a UEG ou o Sinepe, o Ibepet começou a receber recursos no dia 23 de agosto de 2006, quando recebeu o depósito bancário de R$ 325,3 mil. Sete dias depois, foram mais R$ 100 mil.

O MP-GO constatou que em 20 de setembro de 2006, outros R$ 300 mil caíram na conta, mas foram devolvidos à instituição. Segundo a denúncia apresentada pelos promotores integrantes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Denis Bimbati, Juan Borges de Abreu, Vinícius Marçal e Luís Guilherme Gimenes, ao todo foram depositados na conta da empresa de Brzezinsk R$ 725,3 mil.

O dinheiro era sacado na boca do caixa bancário e distribuído pelo ex-defensor-geral para as pessoas indicadas por Izecias. Ex-defensor-geral de Goiás, Brzezinsk deixou o cargo em outubro do ano passado.

A movimentação foi comprovada pela Operação do MP-GO, que foi deflagrada em dezembro do ano passado. Com a análise do sigilo bancário, dados de notebooks, pendrives e tablet, que foram apreendidos, os investigadores indicam que os cheques emitidos pelo Ibepet foram sacados por Francisco Afonso de Paulo e Carlos Roberto da Silva.

Luís Francisco Arantes, ex-reitor da UEG, deixou a instituição em 2012, mas ocupa cargo comissionado no Estado de Goiás assim como  Carlos Roberto da Silva. Os envolvidos vão responder por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato.