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Guia para escolha da faculdade ajuda a fugir de pegadinhas publicitárias

Cristiane Capuchinho

Do UOL, em São Paulo

16/12/2013 05h00

A carreira é apenas a primeira das escolhas que o vestibulando precisa fazer em sua busca pelo diploma universitário. Tão importante quanto o curso é a seleção da instituição de ensino superior. Para facilitar a vida dos candidatos nessa árdua tarefa, o UOL compilou um guia com as principais dicas para tomar uma decisão consciente e fugir das "pegadinhas" da publicidade. 

A primeira coisa a saber é se a instituição tem permissão para a oferta de cursos de ensino superior e se seus diplomas têm validade. O responsável por essas informações é o MEC (Ministério da Educação). A pasta mantém a página de consulta e-MEC com informações de todas as instituições de ensino superior do país e os cursos reconhecidos pelo ministério.

Quem ainda não tem uma lista de instituições para consultar, pode buscar no site do e-MEC pelo curso e descobrir quais as faculdades que ofertam a carreira em sua cidade, se as instituições são públicas ou privadas e se os cursos são gratuitos ou pagos.

Cursos 100% reconhecidos pelo MEC

Para que o diploma de graduação tenha validade, é preciso que o curso seja reconhecido pelo MEC. Cursos novos recebem apenas a autorização para sua abertura. O reconhecimento só pode ser pedido pela instituição quando os estudantes da primeira turma tiverem completado, ao menos, 50% da carga horária. Assim, escolher um curso autorizado é assumir o risco de receber um diploma sem validade caso o curso não seja aprovado na avaliação.

Quando a instituição diz que os cursos são 100% reconhecidos pelo MEC significa que todos os seus cursos concedem diplomas com validade e não há nenhuma carreira nova na instituição que ainda precise ser avaliada. 

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"É importante que a instituição deixe claro para o interessado se o curso é reconhecido ou autorizado", destaca Selma do Amaral, diretora de atendimento ao consumidor do Procon-SP (órgão de proteção do consumidor).

Nota positiva do MEC

Nota máxima ou nota positiva na avaliação do MEC são termos comuns em publicidades de faculdades de todo o país. Antes de usar a avaliação como critério, é preciso saber o que é que ela avalia e qual é a escala de notas. Segundo a assessoria de imprensa do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), a propaganda deve deixar claro qual é a avaliação destacada no comercial.

O ministério é o órgão responsável por avaliações periódicas dos cursos e das instituições de ensino superior. As principais notas divulgadas pelo MEC são o IGC (Índice Geral de Cursos), que julga a qualidade das instituições, e o CPC (Conceito Preliminar de Curso), que avalia cada um dos cursos de graduação do país. 

Os índices consideram o desempenho dos alunos no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), a infraestrutura do curso e a titulação do corpo docente, entre outras coisas. 

A escala dos dois índices vai de 1 a 5, sendo que a nota 3 é a mínima exigida para que um curso seja considerado de qualidade satisfatória e 5 é a nota máxima. Os conceitos 1 e 2 são considerados insatisfatórios e podem levar o curso ou a faculdade a seu fechamento. 

Assim, se a instituição tem um curso nota 3, isso significa que a carreira tem qualidade satisfatória para que o curso possa ser ofertado. Mas essa é a nota mínima para que o curso passe pelo crivo do MEC.  

A universidade é top

Quem nunca ouviu que determinada instituição é a melhor, a maior ou está entre as 'top' do país?  De acordo com o Conar, as expressões podem ser usadas em propagandas desde que sejam justificadas. Chavão de comerciais de tevê a carrinhos de cachorro quente, é preciso entender nas "entrelinhas" o que o melhor significa. 

Dizer que a instituição é a melhor faculdade de odontologia privada do interior de São Paulo, por exemplo, significa que estão excluídas da comparação todas as universidades e os centros universitários públicos e privados, além das faculdades públicas. 

Nesse caso, o conselho é checar as notas da instituição e de outras instituições da sua região --incluídos universidades e centros universitários. É importante também saber a avaliação do curso desejado, já que uma instituição bem avaliada também pode ter um curso com problemas. 

Rankings

Rankings e listas divulgadas pela imprensa, como o RUF (Ranking Universitário da Folha), e por centros de pesquisa também são bons parâmetros para diferenciar duas instituições. 

Conceitos e avaliações externas são fundamentais para se ter elementos comparativos diretos entre as instituições de interesse, tanto em âmbito nacional quanto internacional”, indica o professor Francisco Ribeiro Viana, do Cursinho do XI.

Antes de checar a colocação de cada universidade, saiba quais são os critérios usados pela classificação e o peso de cada item. Algumas listas consideram a reputação da instituição, outras levam em conta a produção acadêmica, há também as que usem como critério a inserção do profissional no mercado de trabalho.

Conselhos de classe profissional, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), costumam ter uma lista de cursos recomendados ou parâmetros próprios de classificação.

O Conar alerta contra pesquisas e classificações feitas sob encomenda de instituições de ensino superior para que o resultado seja usado em propagandas. 

Formação do corpo docente

"Este é o item mais importante na escolha. A formação docente, suas atividades, suas relações com a universidade e sua representatividade no meio acadêmico serão determinantes na formação do aluno", considera o professor Francisco Ribeiro Viana.

Segundo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), instituições de ensino superior devem ter pelo menos um terço do seu corpo docente formado por profissionais com mestrado ou doutorado. No caso de universidades públicas, é comum que as instituições tenham uma regra que exija um percentual maior do que esse de professores titulados.

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Em 2012, 51,4% dos professores nas instituições públicas tinham doutorado e 29,6% eram mestres. Nas particulares, 17,8% dos professores em 2012 eram doutores e 45,4% eram mestres. 

Além disso, as universidades devem ter, pelo menos, um terço de seus docentes trabalhando em regime integral na instituição.

Conversa com alunos

Visitar a instituição e conversar com alunos e ex-alunos é outra maneira de conferir a qualidade do curso e saber o que espera o estudante nos próximos três, quatro ou cinco anos. 

Saber, entre outras coisas, se as aulas práticas são dadas em laboratórios, se os professores estão disponíveis fora do horário de aula, se a biblioteca é bem equipada são itens fundamentais para garantir a tranquilidade durante a vida universitária. 

Defesa do consumidor

Se depois da matrícula o produto (curso) entregue não tiver as condições prometidas, o estudante tem o direito de reclamar em órgãos de defesa do consumidor. Nos nove primeiros meses de 2013, aumentou em 19% o número de reclamações sobre instituições de ensino superior no Procon em São Paulo.

Segundo a diretora de atendimento do Procon-SP, as peças publicitárias integram o contrato do estudante. "Isso obriga o fornecedor a cumprir o que está prometendo", explica Selma. 

A maior parte das reclamações estão relacionadas a cobranças indevidas e problemas administrativos: falta de emissão de boleto, pedidos de transferência não aceitos, inclusão do nome do aluno em bancos de dados de proteção ao crédito. 

"Os grupos educacionais foram crescendo, com muitas fusões entre instituições, e eles têm um problema sério de comunicação com seus discentes. O aluno às vezes vem aqui no Procon para pedir trancamento de matrícula", conta Selma.

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