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Escola alvo de pichações racistas em SP muda o nome para "Nelson Mandela"

Alunos da Emei já realizaram até manifestação, em 2015, para pedir a troca do nome da unidade - Emei Guia Lopes/Divulgação
Alunos da Emei já realizaram até manifestação, em 2015, para pedir a troca do nome da unidade Imagem: Emei Guia Lopes/Divulgação

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

30/06/2016 17h01

Uma lei publicada nessa quarta-feira (29) no Diário Oficial do Município muda o nome da Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Guia Lopes, no Limão, zona norte de São Paulo (SP), para Emei Nelson Mandela. A mudança acontece depois de duas pichações racistas no muro da unidade, em 2011 e 2012, e de uma mobilização real e virtual que arregimentou cerca de 20 mil apoiadores.

A mudança ocorre também quase seis anos depois de a escola iniciar um projeto pedagógico para atender à lei 10.639/03, que trata da inclusão do ensino de história e cultura afro-brasileira no currículo escolar. A primeira pichação continha a frase "vamos cuidar do futuro de nossas crianças brancas" acompanhada da suástica nazista.

Com as atividades e com uma série de festas com a temática racial, o muro da escola foi alvo das pichações racistas, o que acabou fortalecendo não apenas o projeto temático, como o envolvimento da comunidade pela mudança do nome. De acordo com a diretora Cibele Racy, foram 700 assinaturas físicas pela mudança do nome, e 19.926 coletadas via abaixo-assinado da plataforma Change.org.

“A mudança de Guia Lopes [combatente na Guerra do Paraguai] para Nelson Mandela é a resposta definitiva a qualquer atitude racista e de intolerância. Os abaixo-assinados nos deram forças, já que esse tipo de alteração costuma ser um processo burocrático”, afirmou a diretora de 56 anos, 11 deles na direção da Emei.

De acordo com ela, a ideia de coletar apoio via abaixo-assinados veio após um projeto pedagógico de dois anos, implantado com as crianças, para estudar a vida do líder sul-africano, que morreu em dezembro de 2013.

O que ela diria a quem pichou as frases racistas no muro – que acabou sendo demolido?

“Eu diria que uma escola, seja ela pública ou privada, precisa ter o poder de transformar a realidade – e nosso projeto não é defesa de minorias, mas de etnias marginalizadas e excluídas. De verdade, ofereceria a placa com o nome de Mandela a essa pessoa – mas prefiro ficar em uma resposta silenciosa: quero que ela perceba que a brincadeira é mais embaixo, e que ela, definitivamente, saiu pela culatra”, ponderou.

A escola tem atualmente 350 alunos de educação infantil.

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