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Equipe brasileira é a 1ª do país aprovada em torneio mundial de física

Arquivo pessoal
Equipe brasileira está entre as 6 mais bem classificadas para participar do IPT, na Suécia Imagem: Arquivo pessoal

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

16/02/2017 04h00

Motivo de pânico para muitos, a física é o que tem movido os universitários André Juan, Henrique dos Santos, Ricardo Gitti, Pedro Rossini, Isabela Bijotti e Matheus Pessôa. Desde que souberam que haviam sido selecionados para participar do IPT (International Physicists’ Tournment), competição mundial de física que acontece em abril na Suécia, eles transformaram suas rotinas para estudar e fazer experimentos relacionados ao torneio.

Formada por alunos dos cursos de física e engenharia da UFABC (Universidade Federal do ABC), a equipe é a primeira da história do Brasil a se classificar para a competição –na etapa de pré-seleção, o time se destacou como uma das 6 melhores equipes participantes.

Arquivo pessoal
Através da física, jovens pesquisam temas como o salto de uma pipoca Imagem: Arquivo pessoal

Em ritmo de preparação para o torneio, os jovens pesquisam temas bastante curiosos: como projetar uma aurora boreal em laboratório, como construir uma torre de Legos de gelatina e até qual é o maior salto que uma pipoca de micro-ondas pode dar.

“Desde o dia 3 de janeiro estamos fazendo experimentos todos os dias em laboratório”, conta Matheus, 19. Segundo ele, todos os experimentos fazem parte do conjunto de problemas apresentado pelo torneio às equipes participantes, que devem responder às questões de maneira aberta, em um tipo de debate.

“São problemas bem divertidos e relacionados com o nosso dia a dia”, explica o jovem. “É diferente das olimpíadas de conhecimento, em que você tem que estudar bastante só para fazer uma prova. [O torneio] realmente testa seu conhecimento e sua habilidade de expor as ideias”.

Espalhar o conhecimento

Para Matheus, a maior motivação da equipe é poder ter a chance de passar para outros jovens o conhecimento adquirido por eles através da participação no torneio.

“Todo mundo que está no time teve um momento na vida em que pensou ‘putz, isso é física’. A gente quer aproveitar o fato de ser a primeira equipe a ir para o campeonato e gerar um impacto nacional, para que as pessoas vejam que nada é impossível”, conta.

Para botar essa ideia em prática, a equipe pretende fazer uma série de seminários em escolas públicas, além de publicar vídeos explicando os fenômenos físicos estudados por eles.

“A gente não sabe exatamente como vai funcionar tudo ainda, mas estamos escrevendo um diário de bordo. Queremos transformar isso em um projeto”, afirma Matheus.

Vaquinha

Além de toda a preparação para o torneio, o time brasileiro enfrenta mais um desafio: arrecadar R$ 26 mil para arcar com os custos de passagens aéreas até a Suécia e com a taxa de inscrição do torneio, que é de mil euros (pouco mais de 3 mil reais).

"Conseguimos um apoio da faculdade com um auxílio-evento de R$ 1.657,00 para cada aluno, para comprar as passagens", conta Matheus. Para levantar o restante do dinheiro, a equipe organizou uma vaquinha.

“Alguns dos membros do time talvez consigam pagar a passagem para ir, mas a gente não tem certeza. E, mesmo assim, o ideal seria que todos os membros estivessem lá”, ressalta o jovem.

Esperançoso, Matheus destaca que poder participar de um campeonato como o IPT é uma grande oportunidade de apresentar a ciência brasileira fora do país, já que “o Brasil não tem muito destaque na ciência internacional”.

“É um pequeno marco de que a gente está aqui, temos interesse e queremos fazer diferença”.