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Unicamp passa USP e é melhor universidade da América Latina, aponta ranking

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

  • Unicamp

    Vista aérea do campus principal da Unicamp, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas

    Vista aérea do campus principal da Unicamp, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) é a melhor universidade da América Latina, segundo avaliação de um dos principais rankings universitários do mundo, o Times Higher Education, divulgado nesta quinta (20).

Com isso, a universidade ultrapassou a USP (Universidade de São Paulo), uma das instituições de ensino mais tradicionais do Brasil, que ocupou a primeira posição no ranking do ano passado e aparece em segundo lugar na avaliação de 2017.

O Times Higher Education é uma publicação britânica, considerada uma das principais avaliações educacionais do mundo todo, que analisa universidades desde 2011. No ranking global, a USP sempre esteve à frente da Unicamp. No ano passado, por exemplo, ficou no grupo das instituições entre o 251º e o 300º lugar, enquanto a universidade do interior paulista ficou no grupo 401º-500º. A classificação é feita em grupos a partir da posição 200.

Em 2016, a publicação britânica passou a fazer um recorte específico sobre as instituições de ensino superior da América Latina. 

Na avaliação, critérios como ensino, pesquisa, citações, visão internacional e transferência de conhecimento são utilizados como indicadores de desempenho das universidades.

Para Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, a liderança da instituição na América Latina "é um orgulho". Ele afirma que a universidade se destaca por ser inovadora desde a sua fundação, mantendo "um foco muito grande nas ciências aplicadas", e por seu pioneirismo na criação da Inova, uma agência de inovação que estimula a pesquisa e o empreendedorismo dentro da própria Unicamp.

Knobel diz ainda que a "flutuação" de posições entre a USP e a Unicamp é algo que "faz parte do processo de rankings". "As duas têm um corpo de professores, estudantes e funcionários de excelência", avalia.

O reitor destaca que o desafio atual da Unicamp e de outras universidades paulistas é manter a qualidade de ensino em um momento "dramático" de crise financeira.

Assim como a USP, a Unicamp afirma ter um comprometimento com a folha de pagamento dos servidores superior à verba repassada pelo Estado de São Paulo, que vem de impostos como o ICMS.

Atualmente, o deficit da universidade está previsto em R$ 250 milhões. "A principal preocupação, agora, é atingir o equilíbrio financeiro", afirma Knobel.

Procurada pelo UOL, a reitoria da USP ainda não comentou a listagem.

O Brasil no ranking

Ao todo, o Times Higher Education avaliou 81 universidades da América Latina. No quadro das 10 melhores instituições, o Brasil é o país mais presente, com 5 universidades na lista: além da Unicamp e da USP, aparecem no topo a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a Ufrj (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Considerando as 50 melhores universidades da região, 18 são brasileiras –uma piora em relação ao ano passado, quando eram 23 instituições nesse quadro. 

"Muitas destas universidades melhoraram a sua pontuação total desde o ano passado, mas perderam terreno devido ao aumento da concorrência e porque outras instituições melhoraram em um ritmo mais rápido", afirmou Phil Baty, editor dos rankings da Times Higher Education, em relatório.

Entre os países que ascenderam rapidamente no ranking da América Latina estão o Chile, com 15 universidades entre as 50 melhores (11 a mais do que no ano passado), a Colômbia, com cinco (no ano passado eram quatro), e a Argentina, que entra na avaliação pela primeira vez, com duas colocações nessa lista.

Segundo Baty, apesar de o Brasil gastar mais em pesquisa e desenvolvimento do que os outros países da região, o investimento ainda é pequeno. "Os salários dos pesquisadores também são muito baixos para os padrões internacionais e estão entre os mais baixos da região", disse.

A análise do Times Higher Education é de que junto ao pouco financiamento para pesquisas, ao excesso de burocracia e a políticas mal-definidas para pesquisas, os baixos salários dos pesquisadores podem incentivar a saída desses estudiosos do país.

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