Aprendizagem melhora no 5º ano, mas estaciona no ensino médio, mostra Saeb

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

  • Fernando Moraes/Folhapress

A aprendizagem dos estudantes brasileiros do 5º ano do ensino fundamental melhorou tanto em português como em matemática entre 2015 e 2017, mas o ganho não se repetiu no 3º ano do ensino médio, em que os índices de aprendizagem dos alunos para essas disciplinas permaneceram praticamente estacionados.

É o que apontam os dados do Saeb (Sistema de Avaliação de Educação Básica) 2017, divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão do MEC (Ministério da Educação). Os números são apresentados a cada dois anos.

Este foi o primeiro Saeb que incluiu a avaliação de escolas particulares, que puderam participar de forma facultativa. A participação das escolas públicas é obrigatória.

O maior avanço em nível nacional aconteceu entre os alunos do 5º ano do fundamental em português: o índice saltou de 208 pontos, em 2015, para 215 pontos, em 2017. Em matemática, o desempenho desses alunos melhorou de 219 para 224 pontos, considerando o mesmo período. Nesse patamar, os alunos se encontram em um nível 4, de uma escala até 9, em proficiência em língua portuguesa.

Já os números do 3º ano do ensino médio se mostram preocupantes: em matemática, apesar de o índice ter apresentado um ganho discreto de 267 pontos para 270 pontos nesses dois anos, a nota é a segunda mais baixa da série histórica iniciada em 1995. Isso significa que eles estão em um nível 2 de 10 em proficiência em matemática.

O cenário se repete com o desempenho desses estudantes em português: o índice de 267, em 2015, se manteve praticamente inalterado em 2017, passando para 268.

A baixa qualidade, em média, do Ensino Médio brasileiro prejudica a formação dos estudantes para o mundo do trabalho e, consequentemente, atrasa o desenvolvimento social e econômico do Brasil
Trecho de relatório apresentado com dados do Saeb

Para Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, "o ensino médio é como um paciente que está na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], em estado crítico, e não sabemos como tirá-lo de lá", afirma 

"Há uma melhora sistemática dos anos iniciais do ensino fundamental. O Brasil aprendeu como melhorar aprendizagem dos alunos nos anos iniciais. Entretanto, esses ganhos não são aproveitados", pontua.

Para Ramos, o país perde principalmente por não aproveitar a grande quantidade de jovens que existe na população brasileira hoje.

"O país está ficando mais velho, o topo demográfico está engordando", afirma. "A gente está preparando jovens com esse patamar muito baixo de aprendizado. Nem conseguimos dar conta do século 20 e está vindo aí um novo ciclo de trabalho, do século 21, com exigências de competências altas e dinamicidade do conhecimento."

Desigualdade entre estados

Os resultados do Saeb evidenciam as desigualdades educacionais no Brasil, principalmente na etapa do ensino médio.

Em matemática, por exemplo, a diferença entre os estados do Pará, que apresentou o pior desempenho (245,5), e Espírito Santo, que apresentou o melhor desempenho (291,6), é de 46 pontos –o que representa uma diferença de quase dois níveis de proficiência. Cada nível equivale a cerca de 25 pontos.

Considerando a defasagem de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais alto e mais baixo, Pernambuco é o estado que apresenta a menor diferença no ensino médio, enquanto o Distrito Federal apresenta a maior diferença de aprendizagem.

No 5º ano do ensino fundamental, todos estados brasileiros, individualmente, apresentaram evolução tanto em português como em matemática. Mesmo assim, a desigualdade entre os estados persiste: a diferença entre o Maranhão (233,1) e Santa Catarina (269,3) representa uma diferença média de mais de um nível de proficiência, com 36 pontos.

Já o estado mais desigual nesta etapa de ensino é o Amazonas, enquanto o Ceará é o que apresenta menor diferença entre a aprendizagem de estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto.

O que é o Saeb

Junto às taxas de aprovação, reprovação e abandono fornecidas pelo Censo Escolar, os dados do Saeb compõem o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), principal indicador de qualidade de educação no Brasil. Segundo o Inep, os dados do Ideb 2017 serão divulgados no dia 3 de setembro.

São avaliados alunos do 5º ano do ensino fundamental, do 9º ano do ensino fundamental e do último ano do ensino médio. O Saeb foi aplicado em 2017 em mais de 70 mil escolas, entre os dias 23 de outubro e 3 de novembro, para mais de 5,4 milhões de estudantes.

Segundo o Inep, 77% dos estudantes brasileiros previstos estiveram presentes no momento da aplicação das avaliações e 80% das escolas previstas cumpriram os critérios estabelecidos e, portanto, têm resultados divulgados no Saeb 2017. 

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