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Cursinhos lançam vaquinha para alunos periféricos terem acesso à internet

Estudantes tiveram de parar de frequentar as aulas devido à pandemia do novo coronavírus - Reprodução/Site/4gparaestudar
Estudantes tiveram de parar de frequentar as aulas devido à pandemia do novo coronavírus Imagem: Reprodução/Site/4gparaestudar

Beatriz Gomes

Do UOL, em São Paulo

09/06/2020 15h26

Oito cursos pré-vestibulares comunitários pelo Brasil se reuniram e criaram a campanha "4G para estudar" para conseguir internet móvel para mais de 2.000 alunos periféricos continuarem se dedicando aos estudos do vestibular. Esses estudantes tiveram que parar de frequentar as aulas por causa das paralisações em meio à pandemia do novo coronavírus.

As doações podem ser nos valores de R$ 20, R$ 50, R$ 150, R$ 400 e R$ 1.000. No site, é possível entender como funciona a campanha. Com R$ 20, o doador pode comprar dois chips de celulares para jovens de periferia, e com R$ 50, garante o acesso à internet para um desses jovens.

O objetivo da campanha é arrecadar R$ 100 mil para custear a internet para um total de 2.256 alunos. Até o momento da publicação desta matéria, a campanha havia arrecadado mais de R$ 38 mil com o apoio de 421 pessoas.

O projeto é realizado por oito cursinhos populares e periféricos: a Rede Ubuntu, de São Paulo, Pré-Vestibular Solitário, PRU (Projeto Rumo à Universidade) e Pré-vestibular comunitário Carolina de Jesus, de Recife, NICA (Núcleo Independente comunitário de Aprendizagem), no Rio de Janeiro, Cursinho Popular Risoflora e AfirmAção Rede de Cursinhos Populares, no Espírito Santo, e Uneafro, que tem unidades espalhadas por todo o Brasil. A campanha também conta com o apoio do laboratório "Nossas" que ajuda com a organização da plataforma de arrecadação e a divulgação da vaquinha.

Rafael de Oliveira, coordenador da Rede Ubuntu de Educação Popular, disse ao UOL que após o adiamento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) — anteriormente marcado para novembro —, os coletivos se juntaram para conseguir fornecer aulas aos estudantes, mas se depararam com a dificuldade no acesso à internet pelos alunos.

"Essa campanha é fundamental para que os alunos negros e periféricos consigam dar continuidade a preparação para Enem e para os [outros] vestibulares. Uma parte significativa dos alunos desses cursinhos não está conseguindo estudar porque não tem condições de comprar um plano de dados para celular", afirmou. A Rede Ubuntu conta com cinco cursinhos populares nas periferias de São Paulo.

Oliveira destacou que o sonho de jovens entrarem na universidade é como "um remédio para muitos jovens nessa pandemia" e fornecer meios para que os alunos continuem estudando mesmo com a paralisação das aulas é essencial.

"Estamos conseguindo muitas doações de alimentos e outros produtos de higiene e limpeza, mas entendemos que precisamos oferecer também um apoio na questão da educação, estudos e formação", concluiu.