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Sem vacinas, professores decretam greve sanitária, no Pará

Professores exigem que aulas virtuais sejam mantidas até que imunização avance - Arte/UOL
Professores exigem que aulas virtuais sejam mantidas até que imunização avance Imagem: Arte/UOL

Luciana Cavalcante

Colaboração para o UOL, em Belém

04/08/2021 21h55

Três dias após o retorno das aulas presenciais nas escolas estaduais do Pará, trabalhadores da educação decidiram por uma greve sanitária, com retorno à modalidade virtual a partir do dia 9 de agosto. A principal reclamação é de que apenas 3% da categoria foi imunizada com as duas doses da vacina contra a covid-19. Segundo eles, são trabalhadores com comorbidades que estão em teletrabalho por conta da pandemia.

As aulas presenciais retornaram na última segunda-feira (2), de forma gradual, segundo plano apresentado pelo governo semana passada. Mas os trabalhadores decidiram suspendê-las. "A greve é sanitária porque prevê o teletrabalho. Suspende a presença, mas mantém as aulas por meio virtual", explica a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará, Sílvia Letícia da Luz.

Segundo dados do sindicato, o estado possui 23 mil professores, e apenas cerca de 3% deles foram completamente imunizados com as duas doses de vacinas contra a covid-19. "Não temos um levantamento, mas temos casos de colegas que pegaram covid-19, depois da primeira dose. No ano passado perdemos mais de duzentos para a doença".

A coordenadora explica que a previsão de imunização completa é até a primeira quinzena de setembro e que os trabalhadores só pretendem voltar às salas de aula depois disso. "Se fizermos uma conta, um professor que trabalha em mais de uma escola e entra em três ou quatro salas, com dez alunos cada, por turno, o risco é alto", explica a coordenadora do sindicato.

Outra reclamação é quanto à falta de estrutura adequada para garantir a segurança sanitária nas unidades de ensino. "Tem salas sem janelas porque era usado ar condicionado, sem a menor ventilação e sem instalação de ventilador. Outras, sem a menor estrutura para garantir o distanciamento. Em algumas escolas, não tem termômetro, nem tapetes sanitizantes".

O sindicato também alega o risco com relação à variante Delta e o retorno das férias escolares. "Queremos a garantia de obras de reestruturação dos espaços, protocolos sanitários, o prazo para a imunização completa até para avaliarmos como vai estar o número de casos da doença, depois da imunização dos profissionais".

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação do Pará informou que continuará com as aulas presenciais na rede pública estadual, conforme o Plano de Retomada, aprovado por unanimidade pelo Conselho Estadual de Educação.

O órgão reiterou que a decisão pelo retorno está em consonância com estudos científicos e dentro dos rígidos parâmetros estabelecidos pelos órgãos de saúde pública, adotando as medidas cabíveis e todos os protocolos de biossegurança.

Ainda segundo a secretaria, as unidades escolares que não estão adequadas para o retorno presencial seguirão com as atividades remotas com o intuito de resguardar a saúde de toda a comunidade escolar paraense.