Equinodermos: Um filo do reino animal exclusivamente marinho

Cristina Faganelli Braun Seixas

A classificação dos seres vivos se faz inicialmente através de reinos. Os mais conhecidos são o animal e o vegetal, mas há ainda outros três, que não vêm ao caso agora. A principal subdivisão do reino é o filo (ou ramo).

No reino animal, cuja variedade de filos é imensa, existe um único filo formado exclusivamente por seres exclusivamente marinhos: o filo Echinodermata, que não é encontrado em água doce.

O nome deste filo vem da característica mais marcante do corpo dos animais que o compõem. Sua pele é coberta por tubérculos ou espinhos. O nome deriva do grego, em que "echino" significa "ouriço" e derme, pele. O ouriço, como se sabe, é um animal espinhoso.

Os equinodermos se dividem em cinco classes:

  • Asteirodea (asteróides), representada pela estrela-do-mar.

 

  • Echinoidea (equinóides) representada pelo ouriço-do-mar e bolacha-do-mar.

 

  • Ophiuriodea (ofiuróides): são parecidos com as estrelas-do-mar, mas com braços mais longos, são as chamadas serpentes-do-mar.

 

  • Holothuroidea (holoturóides), onde estão os pepinos-do-mar.

 

  • Crinoidea (crinódes), representada pelos lírios-do-mar.

Triblásticos, celomados e deuterostômios

Pois bem, os equinodermos são triblásticos (isto é, têm três folhetos embrionários; ectoderme, mesoderme e endoderme), celomados (apresentam tecido de preenchimento - celoma), deuterostômios (o primeiro orifício a ser formado é o ânus, fator que indica serem mais evoluídos que seus antecessores) e apresentam simetria radial.

Outra característica marcante do ramo é o sistema hidrovascular ou sistema ambulacrário, responsável pela locomoção e respiração do animal. Destaca-se também sua capacidade de regeneração, pois a estrela-do-mar (Echinaster brasliensis), por exemplo, ao perder parte de um braço, vai tê-lo rapidamente regenerado.

Multiplicação das estrelas

Da mesma forma, um braço isolado poderá dar origem a uma nova estrela-do-mar, desde que tenha parte do disco central. Isso, por sinal, muitas vezes favoreceu o desequilíbrio ecológico: devido à falta de informação, muitos criadores de ostras, ficavam irritados com as estrelas-do-mar que vinham se alimentar delas.

Para evitar que as ostras se transformassem em alimento e deixassem de produzir pérolas, os criadores capturavam as estrelas-do-mar, arrancavam seus braços e as devolviam à água. Com isso, em vez de destruí-las, aumentavam a população de estrelas-do-mar.

Lanterma-de-aristóteles

Assim como as estrelas, os ouriços-do-mar têm constantemente seus espinhos regenerados. Este animal apresenta em sua boca um órgão chamado lanterna-de-aristóteles, que é formada por cinco dentes fortes e afiados, que os auxilia durante o processo de obtenção de alimento.
 

Sexo e alimentação

A reprodução dos equinodermos é sexuada e a maioria das espécies é dióica, ou seja, apresentam sexos separados: existe o macho e a fêmea. Sua fecundação é externa, machos e fêmeas eliminam seus gametas na água do mar. O desenvolvimento é indireto, pois muitas espécies apresentam vários estágios larvais.

O sistema digestório do filo é completo, ou seja, formado por boca e ânus. Na digestão dos equinodermos, há algumas curiosidades. A estrela-do-mar, por exemplo, regurgita seu estômago pela boca, libera enzimas digestivas e muco diretamente sobre a presa. Depois o estômago é recolhido, juntamente com o alimento previamente digerido.

Cristina Faganelli Braun Seixas é bióloga e professora no Colégio Núcleo Educacional da Granja Viana.

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