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Papa Francisco Líder da Igreja Católica

17/12/1936, Buenos Aires, Argentina

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

18/03/2013 08h52

Passava um pouco das sete horas da noite do dia 13 de março de 2013 quando o cardeal Jean-Louis Tauran anunciou para o povo reunido na Praça de São Pedro, em Roma: Habemus Papam (Temos um papa). Cumpria-se, assim, um dos mais tradicionais ritos da Igreja Católica.

A inesperada renúncia do Papa Bento 16, ocorrida há pouco mais de um mês, tinha despertado a atenção mundial sobre a eleição do novo papa, não só pelo ineditismo do ato de renúncia, que não se repetia há mais de 600 anos, como pelos rumores de uma suposta crise nos domínios da Santa Sé, onde não faltaram acusações de traição e vazamento de informações.

O arcebispo da Argentina, Jorge Mario Bergoglio, foi eleito o 266o Papa da Igreja Católica no segundo dia do Conclave realizado em Roma, que reúne a portas fechadas os cardeais responsáveis pela escolha papal. Bergoglio não era uma das principais apostas entre os nomes mais cotados e sua indicação surpreendeu por várias razões.

De fato, a escolha de um papa de nacionalidade argentina significa que pela primeira vez é escolhido um sacerdote não europeu para ocupar o cargo máximo da Igreja e, mais que isso, vindo de um país distante da Cúria Romana. Não por acaso, em seu primeiro pronunciamento, o Papa Bergoglio assinalou: “Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase no fim do mundo…”

Não bastasse essa novidade, o papa recém-eleito é jesuíta, Ordem que também pela primeira vez na história tem um dos seus membros indicado para o cargo. E essa escolha tem os seus significados.

 

Jesuítas

Conhecida como Companhia de Jesus, a Ordem dos jesuítas é uma das mais influentes organizações da Igreja Católica. Foi fundada em 1534 por Inácio de Loyola, um cavaleiro espanhol, cuja formação militar influenciou o espírito reinante entre os membros da congregação.

É uma instituição voltada fortemente para a educação dentro da Igreja, ao mesmo tempo em que tem um grande senso evangelizador, com ações que historicamente se espalham ao redor do mundo. Foi fundamental, por exemplo, na colonização do Brasil e seus membros percorreram o mundo e chegaram até a Ásia para levar sua mensagem.

Ao longo dos séculos, os jesuítas nem sempre estiveram em total acordo com as orientações do Vaticano e, pontualmente, seu trabalho social na periferia das sociedades demonstra isso. A Companhia esteve na berlinda algumas vezes e chegou a ser ameaçada de extinção. Com João Paulo II sofreu novas ameaças em razão do envolvimento com o movimento da Teologia da Libertação.

Entretanto, o último papa, Bento 16, não abriu mão da força representada pelos jesuítas e, como se estivesse deixando uma mensagem para o futuro, nomeou o Cardeal Jorge Bergoglio para a Cúpula da Conferência Episcopal Latino-americana.

A surpresa pela escolha de um papa jesuíta se deve em parte também à orientação existente na Ordem para que seus membros evitem buscar postos ou honras maiores dentro da Igreja. Tal determinação pressupõe que assim os jesuítas ficam livres de obrigações internas para sair pelo mundo em sua missão evangelizadora.

A vida de Bergoglio

Jorge Mario Bergoglio nasceu em dezembro de 1936 em Buenos Aires, na Argentina. Filho de imigrantes italianos, Bergoglio teve formação em Química pela Universidade de Buenos Aires.

Em 1958, ingressou na Companhia de Jesus e, na sequência, licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de São Miguel. Mais tarde doutorou-se em Teologia em Freiburg, na Alemanha. Foi ordenado sacerdote em 1969. Após um período de apostolado na Argentina, retornou para a Faculdade de São Miguel como professor de teologia em 1980 e lá permaneceu até 1986.

Em 1992, foi nomeado bispo titular de Auca e bispo auxiliar de Buenos Aires. Em 1998, tornou-se arcebispo da capital argentina e em 2001 foi nomeado cardeal pelo Papa João Paulo II.

Bergoglio tem sólida formação intelectual, domina várias línguas e tem livros publicados. Em seu país, é considerado um ortodoxo conservador e já manteve algumas controvérsias com o governo local, entre elas a polêmica sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Da mesma forma, sua atuação perante os atos da ditadura argentina voltou a ser questionada com a recente eleição, críticas que têm sido prontamente combatidas por membros do clero romano.

Francisco, a escolha do nome

Faz parte da tradição que um novo papa decida sobre o nome pelo qual deverá ser chamado durante o período de seu pontificado. Quase sempre a escolha é feita para homenagear os primeiros apóstolos de Jesus ou algum outro papa da história pelo qual o novo indicado tem admiração.

É frequente também que a escolha do nome sirva como sinalizador dos caminhos que o papa eleito pretende trilhar. E, nesse caso, a predileção por Francisco parece trazer uma mensagem clara.

O histórico do Papa Francisco dá conta de que ele é um homem simples, de hábitos austeros, personalidade vigorosa, de posições claras e abertamente voltado para amparar os pobres. Predicados que também eram presentes no modelo que ele escolheu para seguir: São Francisco de Assis.

Ao que parece, o novo papa desenha-se como um jesuíta com hábitos franciscanos. Se essa combinação vai funcionar. Se ele vai conseguir adotar uma estratégia de ação para enfrentar a crise vivida pela Igreja Católica, se vai conseguir mudar as estruturas da Igreja e sua visão conservadora para encontrar um novo modelo e assim enfrentar os desafios da modernidade, só o tempo e sua biografia dirão.