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Microrganismos - Introdução aos organismos microscópicos

Alice Dantas Brites

Microrganismo é o nome dado a todos os organismos compostos por uma única célula e que não podem ser vistos a olho nu, sendo visíveis apenas com o auxílio de um microscópio. Logo, esta é uma classificação artificial - e sob o nome de "microorganismo" podem estar reunidos organismos pertencentes aos mais diversos grupos, como, por exemplo, vírus, bactérias, fungos unicelulares e protistas.

A área que estuda esses pequenos organismos é chamada de microbiologia. Muitas vezes, o termo é associado à transmissão de doenças. No entanto, nem todos os microorganismos são patogênicos, existindo até mesmo aqueles que são benéficos à saúde humana, como é o caso das bactérias da flora intestinal.

Vírus: parasitas celulares

O nome vírus vem do latim, vírus, que significa peçonha ou veneno. Os vírus são estruturas microscópicas cujo comprimento varia, em média, entre 0,05 e 0,9 micrômetros. Para ter uma idéia, 1 micrômetro equivale à milésima parte do milímetro. Desta forma, os vírus só podem ser observados por meio de técnicas de microscopia eletrônica.

Vírus são acelulares e dependem de células vivas para se reproduzirem. Por este motivo, são considerados como parasitas celulares obrigatórios. Quando não se encontram dentro da célula hospedeira, permanecem numa forma dormente chamada de vírion. Os vírus causam doenças em animais, vegetais e até mesmo em bactérias.

Cada vírus é formado por uma cápsula protéica, chamada de capsídio, e ácido nucléico, que pode ser tanto DNA (adenovírus) quanto RNA (retrovírus). As proteínas presentes na superfície do capsídio são responsáveis pelo reconhecimento e pela ligação do vírus à célula hospedeira. Já o material genético atua na replicação viral.

Um dos vírus mais estudados ataca bactérias, sendo, por isso, chamado de bacteriófago. As proteínas presentes no capsídio do bacteriófago reconhecem a célula da bactéria, ligando-se à sua superfície e liberando enzimas que perfuram a parede celular, permitindo que o DNA viral penetre na célula hospedeira.

Ao atingir o núcleo celular, o DNA viral é transcrito em RNA, que, por sua vez, atua na codificação de proteínas de novos vírus. Este processo é realizado pelas enzimas da célula, que confundem o material genético do vírus com o seu próprio DNA. Assim, em poucos minutos, a célula hospedeira é tomada por partículas virais e acaba por romper-se, liberando milhares de novos vírus.

Os vírus são responsáveis por inúmeras doenças, genericamente chamadas de viroses, que acometem tanto vegetais quanto animais. Algumas viroses que atacam o homem são a gripe, a caxumba e a Aids. Para diversas doenças virais já foram desenvolvidas vacinas que previnem o contágio e a conseqüente propagação do vírus.

Porém, os vírus também podem ser úteis ao homem. São muito utilizados em estudos de genética e biologia molecular, pois fornecem um modelo simples e de rápida reprodução, que permite estudos acerca da replicação e transcrição do material genético, além de serem empregados como vetores para produzir organismos geneticamente modificados.

Bactérias: organismos procariontes

As bactérias são seres microscópicos que surgiram na Terra há mais de 4 bilhões de anos. São organismos procariontes, ou seja, que não possuem um núcleo organizado, e que pertencem ao reino Monera. São unicelulares, medindo, em média, entre 0,3 e 2 micrômetros. Sua nutrição pode ser tanto autótrofa quanto heterótrofa. Quanto à reprodução, pode ser sexuada ou assexuada.

As bactérias habitam os mais diversos ambientes, podendo ser encontradas em locais tão diferentes quanto o trato intestinal de animais, as profundezas marinhas e as raízes das plantas.

O corpo da bactéria é revestido, externamente, pela parede celular, uma estrutura rígida, composta por peptídeos e açúcares, que se situa logo acima de membrana plasmática e que envolve e protege a célula. Algumas bactérias possuem flagelos na superfície da parede celular, cuja função é auxiliar na sua movimentação.

No citoplasma da célula bacteriana encontram-se os ribossomos e o seu material genético. Este é composto por uma molécula de DNA circular e, em algumas espécies, também por pequenos filamentos de DNA chamados de plasmídios.

Diversas doenças são provocadas pelas bactérias, como a cólera, a sífilis e a tuberculose. Para muitos desses males existem antibióticos específicos que inibem o crescimento das bactérias. Porém, as bactérias também possuem grande importância ecológica e diversas utilidades para o homem. Elas atuam na decomposição da matéria orgânica, participam do ciclo do nitrogênio, são empregadas na fabricação de remédios e cosméticos, entre outros exemplos.

Fungos unicelulares

O reino Fungi engloba uma grande variedade de organismos, cerca de 70.000 espécies, que habitam ambientes diversos e que apresentam uma grande variação de forma e tamanho. São eucariontes, aclorofilados e heterótrofos, ou seja, não produzem seu próprio alimento, dependendo de fontes de matéria orgânica, viva ou morta, para a sua alimentação.

Os fungos classificados como microorganismos são aqueles compostos apenas por uma única célula, e pertencem a duas classes: Deuteromycetes e Ascomycetes.

Um exemplo de fungo unicelular é a levedura (Saccharomyces cerevisae). A levedura se reproduz rapidamente, através de processos assexuados. Para obter energia, a levedura realiza a fermentação e, por esse motivo, é utilizada na fabricação do pão e de bebidas alcoólicas. Na produção do pão, as leveduras consomem a glicose presente na massa e, através da fermentação desse açúcar, liberam gás carbônico e álcool etílico. O gás liberado cria pequenas bolhas no interior da massa, que fazem o pão crescer e ficar macio.

Na fabricação de bebidas, as leveduras são utilizadas para fermentar diversos ingredientes e, através desse processo, liberar o álcool etílico. Na fabricação do vinho, as leveduras fermentam os açúcares presentes na uva; na produção de cerveja, fermentam a cevada.

Muitos protozoários provocam doenças

Os protozoários são seres unicelulares, eucariontes e heterótrofos. De acordo com a sua estrutura de locomoção (pseudópodes, cílios ou flagelos) são divididos em quatro filos: Sarcodina, Flagellata, Ciliophora e Sporozoa.

Os protozoários realizam as trocas gasosas, a absorção e a excreção de substâncias através de sua membrana plasmática, que pode ser simples ou recoberta por uma carapaça calcária (foraminíferos). Sua reprodução pode ser sexuada, assexuada ou, ainda, pode envolver a alternância de gerações.

Muitos protistas são parasitas e provocam doenças em animais e humanos. Este é o caso da Entamoeba histolytica, sarcodíneo que provoca a disenteria amebiana, do Leishmania brasiliensis, flagelado que provoca a úlcera de Bauru, e do Plasmodium sp., que infecta mosquitos do gênero Anopheles, transmitindo a malária.