Filosofia

Estruturalismo - estudos contemporâneos: A antropologia cultural

Renato Cancian, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Na segunda metade do século 20, o estruturalismo expandiu-se para várias áreas das ciências sociais, como a economia, a sociologia, a ciência política e a antropologia.

Na sociologia e na ciência política três autores contemporâneos se destacaram em razão de seus estudos comparativos. São eles: Barrington Moore Jr., que é autor do livro Origens Sociais da Ditadura e da Democracia: senhores e componeses na construção do mundo moderno, publicado em 1966; Charles Tilly, que publicou inúmeros estudos políticos e sociológicos tratando do surgimento e evolução dos Estados modernos e da dinâmica dos processos revolucionários; e, finalmente, Theda Skocpol, autora de Estado e Revoluções Sociais: análise comparativa da França, Rússia e China, publicado em 1979.

Todos esses cientistas sociais elaboraram estudos com base na perspectiva estrutural, também denominada de abordagem institucional.


 

Antropologia estrutural

A economia, a sociologia e a ciência política nunca adotaram explicitamente a denominação "estrutural" para caracterizar um campo de estudos específicos. Mas a antropologia fugiu a essa regra e desenvolveu o campo de estudo denominado de "antropologia estrutural".

Sem dúvida, foi o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss o expoente mais notório da teoria e da análise estrutural. Seus estudos com enfoque nas sociedades primitivas (também chamadas de sociedades simples ou arcaicas) tiveram grande influência acadêmica.

Lévi-Strauss se destacou nas análises do parentesco e do pensamento mítico. No livro intitulado Estruturas elementares do parentesco, publicado em 1949, o antropólogo aplicou a perspectiva estrutural, a fim de demonstrar que as regras de proibição do "incesto" (que pode ser definido como a relação sexual ou marital entre parentes próximos) vigoram em todas as sociedades humanas conhecidas.

Segundo Lévi-Strauss, o "tabu do incesto" pode ser considerado um fenômeno universal, que está presente em todas as sociedades humanas, mas cada sociedade (ou conjunto de sociedades) desenvolveu mecanismos diferenciados e específicos, com o objetivo de justificar e aplicar as regras de proibição das relações sexuais e maritais consanguíneas.

Esse tabu pode ser concebido como um mecanismo social que reflete o domínio da cultura sobre a natureza.

A abordagem dos pensamentos e narrativas míticas recebeu tratamento semelhante. Em seu célebre estudo comparativo intitulado Mitológicas o cientista social francês demonstrou que o mito não existe isoladamente, pois está relacionado com outros mitos.

Da mesma forma que a linguística estrutural isola os elementos básicos presentes em todas as línguas (fonemas, morfemas, etc.), o mito possui unidades elementares denominados mitemas, que podem ser reduzidos a "pares de oposição binária" e que sustentam a estrutura do pensamento mítico em geral.

Os pares de oposição binária presentes nas narrativas míticas - tais como masculino-feminino, cru-cozido, pai-mãe, terra-água, entre inúmeros outros - refletem questões primordiais que afetam as sociedades humanas, nas quais a "cultura" tem predomínio sobre a "natureza".

A partir da década de 1970, o estruturalismo formulado por Lévi-Strauss na análise das organizações sociais primitivas (e de igual modo a antropologia estrutural como um todo) sofreu reformulações teóricas à medida que novos paradigmas surgiram no âmbito da linguística e das ciências sociais.
 

Renato Cancian, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é cientista social, mestre em sociologia-política e doutor em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política - 1972-1985".

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