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Petróleo no pré-sal - Separação de continentes causou surgimento da camada

Divulgação Petrobrás/ABr
A plataforma P-51, da Petrobrás, é a primeira de fabricação 100% nacional Imagem: Divulgação Petrobrás/ABr

Ronaldo Decicino

(Atualizado em 25/06/2014, às 15h20)

A camada pré-sal (que pode ter até 2 mil metros de espessura) é um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural. No Brasil, pelas informações conseguidas até o início do século 21, está localizada na região litorânea entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, cerca de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar.

Mas como foi o lento processo que deu origem às bacias de petróleo no pré-sal?

A formação das reservas petrolíferas sob a camada de sal começou com o acúmulo de matéria orgânica no fundo de lagos de Gondwana, o supercontinente do sul que incluía terras da América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártida, e que existiu há mais de 130 milhões de anos.

Naquela época, com o início da fragmentação do continente Gondwana, formaram-se os lagos que, graças aos rios que neles desembocavam, recebiam grande quantidade de matéria orgânica animal e vegetal. Esses lagos eram profundos, possuíam baixo índice de oxigênio, e os sedimentos se acumularam sob as águas por aproximadamente 15 milhões de anos.

A separação entre a América do Sul e a África prosseguiu e, há 115 milhões de anos, com a entrada de água salgada, formaram-se pequenos mares. Estima-se que o clima, na época, era quente e árido, favorecendo a evaporação e a deposição de sal no piso dos golfos marítimos, ou seja, pequenas regiões do oceano. Essa deposição ocorreu por aproximadamente 5 milhões de anos e a camada orgânica existente acabou ficando presa abaixo do sal.

Há 110 milhões de anos os continentes se afastaram ainda mais. Formou-se um mar raso entre eles, com deposição de carbonato de cálcio que se seguiu por cerca de 10 milhões de anos. Da separação entre as placas tectônicas emergiu o magma, que acabou formando o solo submarino por cima da camada de sal e do material orgânico preso embaixo dessa camada.

Com a formação do oceano Atlântico, há cerca de 100 milhões de anos, ocorreu a sedimentação do solo oceânico. Os detritos dos antigos lagos foram ficando cada vez mais profundos, ocorrendo, então, aumento da temperatura. Isso acabou transformando a matéria orgânica aprisionada sob o sal em petróleo e gás natural.

Atualmente a camada de sal é impermeável, mas, através de fissuras que se formam entre elas, escapam quantidades de petróleo e gás que acabam alojadas no pós-sal (como as jazidas da Bacia de Campos).

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Investimentos para exploração são altíssimos

No Brasil, a Petrobras sabe da existência da camada de pré-sal e a explora desde os anos 1960, mas em pontos pouco profundos. Só as tecnologias desenvolvidas entre o final do século 20 e início do 21 permitiram atingir o pré-sal, 7 km abaixo do piso oceânico.

Os técnicos da Petrobras estimam que as reservas do Campo de Tupi produzam de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo. Até 2014, mais de 400 mil barris foram gerados nas bacias de Santos e de Campos. Em 2018, a expectativa é que 52% da produção total de óleo venha do pré-sal.

O plano de negócios da Petrobras estima que os investimentos na área do pré-sal chegarão a US$ 82 bilhões até 2018.

Ronaldo Decicino é professor de geografia do ensino fundamental e médio da rede privada.

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