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Governo Wenceslau Braz (1914-1918) - Início da industrialização

Renato Cancian

Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Atualizado em 23/07/2013, às 13h43

O vice-presidente Wenceslau Braz foi o candidato vitorioso nas eleições para sucessão do marechal Hermes da Fonseca. A vitória eleitoral do mineiro Wenceslau Braz na presidência da República marcou o reatamento das relações políticas entre São Paulo e Minas Gerais, e com ela a retomada da política do "café-com leite".

O governo de Wenceslau Braz coincidiu com o período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) que aconteceu no continente europeu. O Brasil se envolveu no conflito depois que os alemães afundaram os navios mercantes brasileiros Paraná, Tijuca, Lapa e Macau, que se encontravam no litoral francês. Em outubro de 1917, o presidente Wenceslau Braz assinou a declaração de guerra contra a Alemanha.

Primeira Guerra Mundial

A participação do Brasil na Guerra restringiu-se ao policiamento do oceano Atlântico, fornecimento de alimentos e matérias primas e o envio de um grupo de médicos e aviadores aos países aliados que formavam a Tríplice Entente: Inglaterra, França e Rússia.

A Guerra na Europa influenciou decisivamente os rumos da política financeira do Governo Federal e, a longo prazo, provocou importantes transformações econômicas no país. O advento do conflito armado na Europa, levou à desorganização do mercado mundial, mas gerou prosperidade e enriquecimento nos países da América Latina.

Café e industrialização

O Brasil aproveitou essa fase para impulsionar a industrialização. No início da gestão de Wenceslau Braz, ocorreu a queda brutal das exportações, principalmente dos produtos agrícolas. O governo federal adotou uma política financeira austera, e foi responsável pela queima de três milhões de saca de café que estavam estocadas para evitar a queda nos preços do produto. Mais uma vez a política de valorização do café foi aplicada como desejavam as oligarquias cafeicultoras.

Paralelamente, ocorreu também uma expressiva queda das importações de manufaturados, porque os países em guerra deixaram de produzi-los em grande quantidade. Desse modo, a economia brasileira foi estimulada a produzir internamente os produtos que deixaram de ser importados dos outros países. O resultado foi um vigoroso crescimento do setor industrial.

As pequenas oficinas e fábricas transformaram-se em grandes indústrias que produziam desde produtos têxteis até equipamentos e maquinários. As oligarquias agrárias, principalmente a poderosa classe dos cafeicultores que comandava o aparelho de Estado e o Governo Federal, não tiveram condições de impedir ou frear a industrialização.

A classe operária

A expansão do setor industrial levou inevitavelmente ao crescimento da classe operária. Esse crescimento pode ser constatado ao observarmos que em 1880, o país contava com 54 mil operários; em 1920 esse número salta para 200 mil. No decorrer do processo de formação da classe operária no Brasil, surgem também as primeiras organizações trabalhistas e os líderes sindicais que começaram a atuar de forma mais combativa em defesa de reivindicações e interesses dos trabalhadores da indústria.

O surto industrial contribuía para o crescimento das vagas de emprego, mas as condições de trabalho nas fábricas eram absolutamente degradantes. As fábricas empregavam crianças, mulheres e homens que enfrentavam turnos de 14 a 16 horas por dia, não tinham salário mínimo nem remuneração no período de férias, e muito menos indenização por qualquer acidente de trabalho. Em tais condições, as greves começaram a ocorrer.

A primeira greve geral

A maior delas foi iniciada numa fábrica de tecidos em São Paulo, em 1917. Os trabalhadores do setor têxtil aderiram rapidamente ao movimento transformando-o em uma greve geral. A greve geral atingiu até indústrias do interior do Estado, paralisando cerca de 40 mil operários.

Como fiel representante dos interesses das elites dominantes, a reação do governo foi imediata. As greves incomodavam a nascente burguesia industrial, ou seja, os patrões, por isso, os movimentos grevistas foram reprimidos com violência pelas forças policiais. O governo mobilizou tropas federais e chegou a enviar dois navios de guerra ao porto de Santos, para intimidar os grevistas.

Neste episódio, muitos operários foram presos e alguns líderes grevistas foram mortos. Embora tenham sofrido uma brutal repressão policial, e muitas de suas principais reivindicações não tenham sido atendidas, os movimentos grevistas deste período incentivaram uma maior organização da classe trabalhadora, de modo que nos anos seguintes surgiriam inúmeros sindicatos trabalhistas.

O fim do Contestado

Na gestão de Wenceslau Braz, chegou ao fim a Guerra Santa do Contestado (1912-1916), revolta de caráter popular e religiosa que tinha se iniciado no governo de Hermes da Fonseca. Muito parecido com o conflito ocorrido em Canudos, a Guerra Santa do Contestado ocorreu nas terras em disputa entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, e envolveu beatos e sertanejos que estavam sendo expulsos de suas posses pelos grandes fazendeiros locais.

Os sertanejos eram em sua maioria miseráveis e esfomeados, e foram organizados por um líder religioso bastante carismático naquela região, o beato José Maria. Sob sua liderança, os sertanejos pegaram em armas para defender as terra onde viviam enfrentando várias expedições militares enviadas pelo governo federal para destruir o Contestado.

Depois de inúmeros confrontos, os sertanejos foram derrotados por uma força militar composta por 7 mil homens, e chefiada pelo general Setembrino de Carvalho. Em 1916, depois de resistirem por quase cinco anos, o Contestado foi completamente destruído. Com o fim do conflito popular, os governos dos estados do Paraná e Santa Catarina entraram num acordo sobre suas fronteiras.

A sucessão presidencial

Para suceder Wenceslau Braz na presidência da República, as oligarquias paulistas e mineiras escolheram como candidato o ex-presidente Rodrigues Alves, que conseguiu se eleger. Porém, Rodrigues Alves faleceu logo no início do seu mandato. Assumiu o vice-presidente Delfim Moreira, que governou o país pelo breve período de 1 ano até a convocação de eleições gerais, conforme previa a Constituição Federal.

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