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Livro da rede estadual paulista com dois Paraguais é destaque na imprensa da América do Sul

Ana Okada<br>Em São Paulo

18/03/2009 12h36

Os livros de geografia com erros distribuídos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo foram notícia também em diversos veículos de comunicação internacionais na última terça e nesta quarta-feira (18).

Reportagem da Folha de S.Paulo de ontem (17) mostrava que os livros, voltados a alunos da sexta série do ensino fundamental, traziam duas vezes o Paraguai no mapa da América do Sul, invertiam a localização do Uruguai e do Paraguai e omitiam o Equador.


No editorial de hoje do jornal La Nacion, do Chile, o texto intitulado "Jeografya vrazileña" foi redigido em tom de ironia. Segundo o artigo, os autores do livro didático "decidiram refazer o trabalho de Simón Bolivar e renovaram os limites atuais da América do Sul". Para eles, "mais do que publicar errata, a secretaria deveria aclarar os erros grosseiros contidos em texto escolar, distribuído de forma gratuita na rede pública de colégios paulistanos" (em tradução livre).

Já na reportagem do jornal Clarín, da Argentina, é destacado o papel crítico da imprensa brasileira, dos professores e dos alunos: "foram eles que apontaram o erro que, numa situação de conflito entre fronteiras, poderia provocar rupturas diplomáticas".

O texto fala ainda da importância do caso ter ocorrido na rede pública de São Paulo, que é "o estado mais rico e povoado do Brasil; com uma instituição de primeiríssima linha como a USP (Universidade de São Paulo) e governado por José Serra, líder do PSDB e pré-candidato a presidência em 2010" (em tradução livre).


O erro dos livros também teve repercussão nos Estados Unidos (Yahoo News, AOL News), Inglaterra (The Guardian) e até em Taiwan (Taiwan News).

Providências

Ontem foi determinado o recolhimento de 500 mil exemplares da publicação que já haviam sido distribuídos. O "Caderno do Aluno" é um complemento ao livro didático. Não há informação se a publicação já havia chegado a todas as escolas do Estado.

"Não é um erro grave, mas é um erro. Material [escolar] não pode estar errado, não pode ter erros desse tipo", disse o governador José Serra.

A pasta do governo determinou que a Fundação Vanzolini, responsável pela edição do material didático, faça a troca dos livros com erros. A fundação irá arcar com todos os gastos desta troca, incluindo impressão e distribuição.