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"Ministério da Educação está sendo covarde", diz Jean Wyllys sobre suspensão do kit gay

Camila Campanerut

Em Brasília

27/05/2011 15h18Atualizada em 27/05/2011 18h36

Os vídeos do kit gay que causaram polêmica e levaram o governo a suspender o material já eram públicos e estariam aprovados, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação), de acordo com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).

"O ministério da Educação está sendo covarde. Não pode chegar agora e pegar um material feito por entidades parceiras e dizer que acha que partes dele precisariam ser mudadas. É claro que está em jogo o Palocci. Ele [o ministro Fernando Haddad] foi obrigado a recuar", afirmou Wyllys na tarde desta sexta-feira (27).

Segundo Wyllys, quando os vídeos foram apresentados na Comissão de Educação no Senado em novembro do ano passado, os técnicos do MEC e o próprio ministro teriam demonstrado concordar com o teor das produções. Na ocasião, eles teriam comentado que para finalizar o trabalho "faltava apenas incluir a linguagem de libras (para deficientes auditivos)" segundo Jean Wyllys, líder da frente LGBT da Câmara. 

Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, "a Secad [Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade] aprovou, [ela] se deu por satisfeita", disse o ministro sobre a elaboração conjunta de ONGs e MEC do kit gay. Mas o material ainda teria que passar pelo comitê de publicações do MEC, segundo Haddad.

Chantagem

“Neste caso, a verdade tem que ser dita: o governo foi vítima de chantagem. Meu papel é pressionar. Não sou contra o governo, não faço oposição sistemática. Mas é meu dever, minha responsabilidade explicar o que está acontecendo”, afirmou o deputado.

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), da bancada religiosa, disse que não se trata de "chantagem", mas sim de "jogo político".

Depois da pressão da bancada evangélica e de grupos católicos do Congresso e das ameaças dos parlamentares desses grupos de apoiar investigações sobre o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o governo federal decidiu suspender a produção e a distribuição do kit anti-homofobia na quarta-feira (25). Segundo o governo, todo o material do governo que se refira a "costumes" passará por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de serem publicados ou divulgados.

O governo nega que a decisão tenha sido por causa das pressões. A presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o kit Escola sem Homofobia na manhã de quinta (26). Ela disse que assistiu a um dos vídeos e não gostou do seu conteúdo. "Não aceito propaganda de opções sexuais. Não podemos intervir na vida privada das pessoas", afirmou.

Um dos motivos pelos quais a presidente Dilma Rousseff suspendeu o kit anti-homofobia teria sido uma "frase inadequada" em um dos vídeos que já circulava na internet, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad na manhã desta sexta (27).

Vídeos misturados

Em uma das reuniões para discussão do material -- que está sendo produzido com verba liberada por uma emenda da Câmara dos Deputados -- vídeos de combate às DST (doenças sexualmente transmissívies) teriam sido apresentados como parte do kit do MEC. O conteúdo chocou os parlamentares que se voltaram imediatamente contra o projeto "Escola sem Homofobia".

Segundo Wyllys, a inclusão teria sido feita por Garotinho -- o que ele classificou de ”jogo sujo”. Segundo Wyllys, ele chegou a tentar conversar com Garotinho sobre o equívoco, mas o deputado teria desconversado. O deputado Anthony Garotinho disse não se lembrar desse episódio.

"O material não vai ser distribuído para crianças de cinco ou seis anos. Essa informação fez virar uma histéria coletiva. A população foi enganada. As pessoas se colocaram contra por falta de informação. Os vídeos e as cartilhas só seriam encaminhadas para as escolas que solicitassem e que já tivessem casos de homofobia. A verdade tem que ser dita", conclui Jean Wyllys. 

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