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Alunos da USP criticam imprensa e contam suas versões sobre confrontos com a PM no campus

Da Redação

Em São Paulo

10/11/2011 18h09Atualizada em 10/11/2011 19h17

Estudantes da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo) publicaram textos no Facebook em que criticam a atuação da imprensa na cobertura da invasão e reintegração de posse da reitoria da universidade e tentam "esclarecer" as reivindicações do movimento estudantil. Até a publicação desta matéria, os textos juntos somavam quase 27 mil compartilhamentos.


A primeira nota foi publicada na terça-feira (8) no perfil de Shayene Metri. Com o título “Desabafo de quem tava lá [Reintegração de Posse]”, a estudante contou o que presenciou na reintegração de posse do prédio da reitoria. Na nota, a chegada da PM é descrita da seguinte maneira: “Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie [sic] de símbolo. Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso”.

Já a nota “Esclarecendo o caso USP (pra quem vê de fora)” foi publicada no perfil de Jannerson Xavier, na quinta-feira (9), e busca explicar as reivindicações estudantis e por que os alunos são contra a presença da PM (Polícia Militar) no campus. Segundo a nota, “a reivindicação estudantil não é: PM FORA DO CAMPUS, mas antes SEGURANÇA DENTRO DO CAMPUS”.

A nota também critica a maneira generalizada com que os estudantes da USP seriam tratados: “Os alunos da USP NÃOsão uma unidade. Dentro da Universidade há diversas unidades (FFLCH, FEA, Poli, etc.) e, dentro de cada unidade, grupos com diferentes opiniões. Por isso não se deve generalizar atitudes de minorias para uma universidade inteira. O que estamos fazendo, isso no geral, é sim discutir a situação atual em que se encontra a Universidade".

Íntegra dos textos

Desabafo de quem tava lá [Reintegração de Posse]Veja a nota no FacebookSe você não é cadastrado no Facebook, veja a nota aqui
Esclarecendo o caso USP (pra quem vê de fora)Veja a nota no FacebookSe você não é cadastrado no Facebook , veja a nota aqui

Sátiras

Também no Facebook, uma imagem que está sendo compartilhada pelos usuários pede a nomeação do Capitão Nascimento (personagem interpretado pelo ator Wagner Moura no filme “Tropa de Elite”) para reitor da USP. A brincadeira foi feita após a reintegração de posse da reitoria da instituição.

Além da imagem, foi criada uma conta falsa no Twitter atribuída ao reitor João Grandino Rodas. Com erros de português, o perfil @ReitordaUSP tem, como descrição, a frase “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

A assessoria de imprensa da universidade diz que desconhece o usuário e afirmou que o twitter do reitor está inativo desde a época da campanha para o posto, em 2009.

Prisão e reintegração de posse

Durante a operação de reintegração de posse da reitoria da USP, que aconteceu no último dia 8, 72 manifestantes que estavam no local foram presos. A polícia os encaminhou à delegacia, onde passaram boa parte do dia. Eles foram liberados após o pagamento de fiança de R$ 545 e a assinatura de um termo circunstanciado de ocorrência..

A reintegração de posse da reitoria da USP terminou por volta das 7h20 da manhã de terça-feira. O prazo para os estudantes deixarem o edifício havia vencido na noite de segunda (7), às 23h. Os alunos ocupavam o local desde a madrugada de do dia 2, em manifestação contra a presença da Polícia Militar no campus da USP no Butantã e contra processos administrativos envolvendo funcionários da USP.

Debate sobre a PM

O debate sobre a presença da PM no campus voltou à pauta na quinta-feira (27), quando policiais abordaram três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. A detenção gerou confusão e confronto entre estudantes e policiais --que culminou com a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, posteriormente, da reitoria. 

A presença dos policiais no campus --defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB)-- passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.

Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas "que comumente ocorrem dentro do campus" e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.

Como alternativa à PM, o DCE (Diretório Central dos Estudantes) defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.

Uma parcela dos alunos, sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politénica, defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.

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