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Após protesto de internautas, cadernos denunciados por machismo têm vendas canceladas

Pedido de desculpas postado pela empresa de Cadernos Jandaia na página do "Nós Denunciamos" - Reprodução
Pedido de desculpas postado pela empresa de Cadernos Jandaia na página do "Nós Denunciamos" Imagem: Reprodução

Thea Tavares

Do UOL, em Curitiba

27/02/2013 12h14

O gerente de marketing do Grupo Bignardi, fabricante dos cadernos Jandaia, Fabrício Roberto Pardo, informou na tarde de terça-feira (26) que as vendas dos cadernos da linha "Placas 2013", com as capas que trazem mensagens interpretadas por internautas como de caráter machista, sexista, ofensiva às mulheres e promotoras de violência, foram canceladas e esses produtos já estão sendo retirados do mercado.

  • Internautas acusam cadernos de machismo e de promoção de violência contra a mulher

Desde o lançamento da linha, foram vendidas 32 mil unidades de cadernos e a empresa possui ainda mais de seis mil itens em estoque.

A polêmica  começou na tarde de segunda-feira (25), quando a comunidade de ativistas das redes sociais "Nós Denunciamos", com mais de oito mil seguidores, publicou um protesto contra os motivos das capas e dos adesivos, acusados de serem sexistas, machistas e de fazerem apologia à violência contra a mulher, para uma polêmica se instaurar.

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  • http://educacao.uol.com.br/enquetes/2013/02/26/voce-considera-machistas-as-ilustracoes-dos-cadernos-e-adesivos.js

A operação de tirada do mercado passa pela identificação dos produtos em posse de clientes, como lojas de presentes, papelarias, supermercados e hipermercados, para posterior substituição e substituição imediata das capas e adesivos dessa campanha por outra em poder do próprio fabricante.

“Erramos e estamos tentando corrigir o erro de modo a não cometê-lo novamente”, afirmou. A empresa também tirou do ar o material publicitário sobre a linha e postou um pedido de desculpas público. 

Pardo informa que até meados do mês de maio serão apresentadas aos clientes os novos cadernos da linha “Placas”.

“A nova coleção já está sendo criada. Vamos manter o conceito de ‘placas’, o humor, mas pretendemos mudar a intenção desse humor sarcástico, apostando em um sentido mais amplo, abrangente e de maior aceitação”, disse.

O gerente do grupo industrial, especializado na confecção de material escolar, explicou que a intenção não era a de ofender ninguém, nenhum grupo, mas isso acabou acontecendo. “A linha era destinada ao público masculino jovem, urbano, despojado e irreverente e tinha como referência o sucesso de comercialização das camisetas da marca ‘pânico’, voltadas para esse mesmo público-alvo e que são vendidas nos quiosques dos shopping centers”, justificou Pardo.

Material escolar?

Em uma das capas de cadernos da linha suspensa vê-se uma placa de sinalização que adverte para o perigo de animais na pista e exibe a figura de uma mulher entre dois carros.

Em outro, a ilustração simula uma equação matemática na qual um homem somado a uma mulher alcoolizada, resultaria em amor (ou sexo), o que é simbolizado por corações. A imagem foi interpretada como sendo uma espécie de passe livre para o crime de estupro.

A secretária-geral da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Marta Vanelli, considerou o material de extremo mau gosto. "Transmitem uma imagem muito pejorativa das mulheres", disse Vanelli.

"Não consigo imaginar como uma empresa do porte dessa, com o alcance que tem, possa fazer capas que reproduzam conceitos e valores tão discriminatórios", acrescentou.

A secretária-geral da CNTE ainda se disse indignada com temas e piadas que, segundo ela, desestimulam os estudantes e reforçam estereótipos, como o da "material girl". É o caso dos desenhos que remetem à ideia de que vida boa é fora da escola ou que objeto de anti-estresse feminino seja sinônimo de cartão de crédito.

  • Folha de Adesivos dos cadernos da linha placas da Jandaia