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Intercâmbio de trabalho: Jovem paga R$ 12 mil e chega ao Canadá sem emprego

Cláudia Emi Izumi

Do UOL, em São Paulo

17/04/2013 06h00

Quando concluiu seu curso de graduação na USP (Universidade de São Paulo), a médica veterinária Karina Suemi Sakamoto, 25, fez planos de estudar no exterior para melhorar a fluência em inglês.

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Karina pagou, em 2012, aproximadamente R$ 12 mil por um pacote de intercâmbio para estudar e trabalhar, na agência Experimento, filial de Santo André (na Grande São Paulo). A estadia previa três meses de estudo e outros três de trabalho em Toronto, no Canadá, segundo ela.

Ao chegar ao país, para onde embarcou em janeiro deste ano, e participar da sua primeira reunião sobre o programa WEP (Work Experience Program), soube que teria de encontrar um emprego por conta própria. Algo difícil por ser estrangeira. A outra opção era pagar à escola de idiomas uma taxa de 200 dólares canadenses para que lhe arranjassem duas entrevistas com empregadores.

Ao enviar um e-mail ao consultor da Experimento, recebeu como resposta que as entrevistas de emprego só eram possíveis em intercâmbios com duração de um ano. “E aí me falou ‘mas se você quiser, paga os 200 dólares canadenses.’ Só que antes ele me havia dito que isto já estava incluso no pacote de intercâmbio”, reclama.

Nesta semana, Karina termina o curso de idiomas. A médica veterinária conseguiu um emprego em um café em um campo de golfe, mas não pagou pelas apresentações de trabalho. “É muito difícil arranjar um emprego aqui. As pessoas implicam com o visto porque ninguém quer treinar alguém aqui que vai embora daqui a três meses. Também me falaram que eu não tinha o perfil de uma pessoa que trabalharia em loja ou restaurante pelo meu grau de escolaridade”, conta.

Antes do embarque

As queixas sobre o serviço de consultoria começaram antes do embarque. Karina conta que, ao invés de a agência providenciar o visto, o consultor forneceu alguns contatos de despachantes. Ao final, ela teve de buscar um fora da lista para dar entrada no documento.

Quando perguntou sobre a passagem aérea, o consultor encaminhou para ela uma busca realizada no site Decolar. “Não acreditei quando ele me mandou isso. Qualquer pessoa saberia fazer essa pesquisa. Tive que ir sozinha atrás do melhor preço da passagem”, conta.

“Pior foi a orientação pré-intercâmbio. O consultor me fez ir até a agência para dizer ‘não leve líquido, armas e matérias explosivos na bagagem’. Qualquer um sabe disso atualmente. Só tive decepção com a empresa.”

Karina conta ainda que na hora de fechar o contrato nem ler direito os termos do serviço ela pode. “Quando assinei o contrato, escrito em inglês, estava sozinha na agência de intercâmbio. Não pude levar o documento para casa, entendê-lo melhor e ter uma segunda opinião”, diz.

Ainda no Canadá, Karina não sabe se vai procurar o Procon (órgão de proteção ao consumidor) ou não quando retornar ao Brasil, mas adianta: “vou até a agência para falar com o consultor. Quero ver se ele tem a coragem de negar as informações que me passou pessoalmente. Também quero ir à central da Experimento em São Paulo para ter uma conversa com os responsáveis pelos consultores de intercâmbio. Essas pessoas não podem ficar impunes assim.”

Outro lado

A assessoria de imprensa da agência de intercâmbio Experimento informou à reportagem do UOL que "a cliente optou pelo programa WEP 6 (Work Experience Programme) – Basic Service, com 12 semanas de estudo no Canadá. O pacote dá à intercambista a possibilidade de solicitar uma permissão de mais 12 semanas de trabalho temporário de forma legal, após o período de estudo. Entretanto, esta opção não inclui ofertas de vagas ou agendamento de entrevistas, conforme consta no documento assinado pela estudante".

A agência afirmou ainda "que os documentos foram lidos pela estudante antes de serem assinados e, após a inscrição, ficam disponíveis na agência, podendo ser consultados a qualquer momento".

Na nota,  a Experimento ressalta ainda "que não é responsável pela emissão dos vistos, já que a legislação é muito vasta e específica para cada país. Assim, é do papel da agência sempre orientar os seus clientes em procurar uma assessoria específica, incluindo a indicação de fornecedores para o mesmo" e que, com relação à passagem aérea, a agência também pode operar com este serviço, mas a cliente optou por comprar de outra empresa.

Em relação à orientação pré-embarque, a agência de intercâmbio afirma que esta é uma "etapa fundamental do processo" e que "são abordadas todas as questões relativas à viagem, incluindo informações básicas, tais como o tipo de bagagem, já que por ser uma viagem internacional este item é de suma importância".