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Enem 2014: Sem saber que não podia levar bebê, inscrita perde prova

Alda Sobrinho, 22, chegou com o filho de dois meses e não pôde fazer o Enem 2014 - Marcos Pinto/UOL
Alda Sobrinho, 22, chegou com o filho de dois meses e não pôde fazer o Enem 2014 Imagem: Marcos Pinto/UOL

Glauber Gonçalves

Do UOL, no Rio de Janeiro

08/11/2014 15h39Atualizada em 09/11/2014 11h20

O primeiro do Enem 2014 (Exame Nacional do Ensino Médio) no Rio de Janeiro terminou em tristeza para os candidatos que perderam a prova na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) neste sábado (8).

Alda Sobrinho, 22, chegou com o filho de dois meses e não pôde prestar o exame, pois veio sem um acompanhante para tomar conta do bebê. "O pai dele e o meu pai também vão fazer a prova, então não havia ninguém para ficar com ele", disse.

A candidata esperava que a organização do exame disponibilizasse alguém para acompanhar bebês que precisassem ser amamentados, o que não aconteceu. "Uma amiga que trabalha como fiscal me disse que teria alguém aqui para ficar com as crianças em casos assim", afirmou ao chegar na Uerj. Ela não informou se havia pedido atendimento específico no momento da inscrição -- e, mesmo que tivesse pedido, ela precisaria de um acompanhante para o bebê.

Antes de entrar no local de prova, Alda disse que enfrentara muita dificuldade para se dividir entre os estudos e os cuidados com o filho nos últimos dois meses. "Criança nessa idade precisa de muito cuidado. Tive que conciliar, mas foi complicado" declarou a candidata, que faria o exame pela segunda vez e pretende cursar Farmácia.

Depois de enfrentar muito trânsito para chegar ao local de prova, Amanda Alli, 19, deparou-se com o portão fechado. Um segurança bloqueou o trânsito para que os atrasados pudessem cruzar a movimentada avenida que margeia a Uerj, mas, mesmo assim, Amanda perdeu a prova. Apoiada por transeuntes e parentes de outros candidatos, que, em coro, pediam que os seguranças a deixassem entrar, ela insistiu e chorou muito, agarrada ai portão.

"Eu parei um motoqueiro que eu nem conhecia para poder chegar", disse, em prantos, a candidata que saiu de casa às 12h, de carro com a mãe. "Eu saí de casa e estava tudo parado.  Minha mãe fez milhares de caminhos", explicou. "Tinha milhares de colégios perto da minha casa. Por que foram me colocar para fazer aqui?", questionou a candidata que faria o Enem pela terceira vez e quer estudar jornalismo.

Depois que ela se acalmou, o motoqueiro que a levou cobrou R$ 50 pelo trajeto, revoltando pessoas que estavam no local, que acabaram fazendo uma "vaquinha" para ajudá-la. No fim, Amanda acabou recebendo uma proposta de bolsa de um cursinho que montara um estande na entrada da universidade.

Outras pessoas também não puderam fazer o exame porque estavam sem documento. Um candidato chegou a entrar no local de prova e ligou pedindo que a mãe levasse sua identidade, mas ela não chegou a tempo. Houve discussão com fiscais do exame. Uma outra candidata disse ter tido sua carteira roubada pouco antes de chegar ao local de prova.

O Enem também foi espaço para manifestações de candidatos. Daniel da Silva Ticom, 18, que quer estudar Direito, vestia uma camiseta em que se lia "o vestibular é um inferno". Perguntado se considerava a prova do Enem menos difícil que o vestibular, ele brincou: "O Enem também é um inferno. Cinco horas de prova não é nada bom, mas acho que a estrutura do exame é mais legal".

Chorando, a candidata Ariadni Mattos, 17, se despedia do pai na entrada do prédio. "Ela é chorona mesmo. Já fez outras provas, mas é sempre assim, disse o consultor de tecnologia da informação Carlos Mattos, 45, abraçado à filha, que ainda cursa o segundo ano do Ensino Médio e faz o exame apenas como teste. A estudante, que teve acesso a provas dos anos anteriores, avaliou que o exame é muito cansativo, mas se disse tranquila. "Tem muito pouco tempo para cada questão", declarou.

O engenheiro Elenilton Marinho Masiero, 49, chegou à Uerj para fazer o Enem pela segunda vez. Ele afirmou que o objetivo é apenas testar seus conhecimentos, mas não descartou se inscrever para medicina se obtiver pontuação suficiente. No bolso, ele levava cinco canetas pretas. "Sempre tem alguém que esquece", disse ao ser questionado se as estava levando por precaução.

Medicina também é o interesse da candidata Ana Carolina Marques, 27, que já perdeu a conta de quantas vezes fez o Enem - "cinco pu seis". "Essa é a única forma de ingresso nas universidades públicas em que eu quero estudar. E uma universidade particular é muito cara. Vi uma que cobrava uma mensalidade de mais de R$ 4.600. Não sei nem se ganharei isso depois de formada", disse a candidata, que chegou acompanhada da tia e da mãe.

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