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"Yes, I can!", diz aposentado de 71 anos e candidato do Enem em SP

 "Para mim, a busca de novos conhecimentos não tem prazo de validade", diz Dorival que voltou à escola aos 69 anos, após ter parado os estudos nos anos 1970 - Junior Lago/UOL
"Para mim, a busca de novos conhecimentos não tem prazo de validade", diz Dorival que voltou à escola aos 69 anos, após ter parado os estudos nos anos 1970 Imagem: Junior Lago/UOL

Lucas Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

08/11/2014 13h13

Dorival Pereira dos Santos chama a atenção entre tantos estudantes jovens que concorrem a uma vaga nas instituições que aderiram ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Negro, alto, sorriso largo e vestido com chapéu e colar jamaicanos, é talvez o candidato mais velho na unidade: 71 anos. Ele faz o Enem em local de prova na Barra Funda, em São Paulo.

“Para mim, a busca de novos conhecimentos não tem prazo de validade. E quero ser um referencial para os jovens que aos 20, 30, 40 se acham velhos”, diz Dorival, que voltou à escola aos 69 anos, após ter parado os estudos nos anos 1970.

Ele se orgulha de ser um ajustador ferramenteiro aposentado e ter viajado por diversos países do mundo, como Itália, França, Marrocos, Argentina, Paraguai, os extremos da América e uma ilha do Oceano Pacífico. Trabalhou por um tempo, ainda, em Toronto, no Canadá. Atualmente, mora em São Paulo, mas é de Ribeirão Preto.

“É uma prova de superação fazer Enem. Viemos através dos meus ancestrais da escravidão, mas estamos aqui. Nós, os negros, somos o princípio, somos o meio e jamais seremos o fim”, diz. “Nós não vamos sucumbir como os indígenas. Yes, I can! Sim, eu posso!.”

Dorival se orgulha de ter criado bem os filhos e os netos. Um deles tirou diploma na Fatec no semestre passado. “A minha filha é farmacêutica, a mais nova, professora de artes, e meu neto é engenheiro em tecnologia da informação”, conta orgulhoso.

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