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Professor diz ter sido afastado de escola de Limeira (SP) por ter tatuagens

O professor Celso Pfister, 37, alega ter sido afastado por discriminação - Arquivo Pessoal
O professor Celso Pfister, 37, alega ter sido afastado por discriminação Imagem: Arquivo Pessoal

Izabelle Mundim

Do UOL, em São Paulo

19/05/2015 21h22

O professor Celso Pfister, 37, diz sofrer discriminação e assédio moral que resultaram em seu afastamento da escola estadual Antonio Perches Lordello, em Limeira, interior de São Paulo, onde leciona educação física desde fevereiro deste ano. O motivo da perseguição, segundo ele, é o fato de ser tatuado e usar piercing.

Ele afirma que logo que foi contratado como professor eventual em fevereiro, onde ficaria até abril, a coordenação recomendou que ele colocasse uma fita adesiva sobre o piercing na orelha. “Sempre era retirado das aulas para ser questionado sobre minhas tatuagens e piercing, sobre o que postava nas redes sociais e sempre tinha a presença de um membro da direção em minhas aulas”, afirma.

No Facebook, o docente tem publicado textos e fotos favoráveis à greve dos professores e também desabafos sobre o seu caso.

Após registrar Boletim de Ocorrência denunciando a perseguição, o professor foi informado pela escola por meio de um telegrama que seu contrato de trabalho havia sido extinto. O comunicado ocorreu após Pfister aderir à greve dos professores da rede de ensino do Estado, o que é ilegal, segundo jurista consultado pelo UOL.

“A direção ligou na minha casa, pressionaram minha mãe, depois me disseram que eu deveria ir à escola assinar documentos. Eu disse que não iria por estar em greve, e no dia seguinte fui comunicado do afastamento", conta.

Ele afirma nunca ter tido problemas com a direção das demais escolas onde leciona há quatro anos para turmas do maternal ao ensino médio. Diretores e colegas escreveram declarações sobre a atuação do professor, o que ele tem usado como defesa. “Os alunos me relataram que a vice-diretora estava chamando pais para apoiá-la num processo administrativo para pedir a extinção do meu contrato”, diz. “Os alunos me apoiam, mas morrem de medo da direção”, diz.

Segundo Pfister, a escola alega que os professores devem seguir o mesmo código de conduta cobrado dos estudantes e que o afastamento é resultado de denúncias anônimas de pais de alunos.

No início de maio, o professor prestou um depoimento sobre o caso no Juizado Especial Criminal de Limeira (SP) quando foi marcada uma audiência para junho. "Vou protocolar uma queixa-crime e pretendo que meu Boletim de Ocorrência chegue a um juiz independente do prazo do juizado", afirma o professor.

Procurada, a Secretaria de Educação do Estado afirmou que o professor foi chamado para substituir uma docente durante o período de licença médica "e cumpriu suas aulas integralmente". "Em decorrência de reclamações de pais, alunos e educadores sobre a conduta do professor, incitando estudantes a não comparecerem às aulas, a unidade de ensino abriu um procedimento de apuração, que está em andamento", disse, em nota.

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