Para aprender melhor é preciso usar todos os sentidos, dizem especialistas

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

O ser humano pode aprender de diversas maneiras. Uns acreditam ser mais visuais, ou seja, eles têm facilidade de estudar lendo e olhando imagens. Outros acham que aprendem melhor ouvindo as explicações e lendo em voz alta, os chamados auditivos. Há ainda os que se consideram cinestésicos, aqueles que aprendem por meio da percepção dos movimentos do corpo misturado aos sentidos, como tato, olfato e paladar.

Apesar dessas classificações circularem entre os especialistas na área da aprendizagem, há quem acredite que essas habilidades serão melhores aproveitadas se forem utilizadas em conjunto. Ou seja, quanto mais sentidos forem explorados, melhor será o processo de aprendizado.

"O sujeito vai aprender melhor e as informações vão fazer mais sentido [para ele] na medida em que seja possível disponibilizar situações que sejam multissensoriais. Ver, tatear, ouvir, sentir cheiro, o máximo possível", explica Eder Pires de Camargo, doutor em educação e professor do departamento de física e química da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) de Ilha Solteira (680 km de São Paulo).

Camargo, que também é especialista no ensino de ciências para alunos com deficiência visual, acredita que as pessoas não nascem mais visuais, mais auditivas ou mais cinestésicas. "O processo de aprendizagem não ocorre pela simples observação do ambiente. Ele acontece por meio dos cinco sentidos. Limitar a aprendizagem em um único estilo é limitar demais o processo."

"O que acontece é que determinada habilidade pode se sobressair em alguns momentos, mas isso não define a característica de cada um", acrescenta Heloisa Matos Lins, professora doutora do departamento de psicologia educacional da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Segundo ela, estudos e pesquisas dentro do campo da aprendizagem têm mostrado que a forma de se aprender é bastante variável e que ela é desenvolvida de acordo com o contexto de vida e a cultura de cada indivíduo.

"Não somos aprendizes sempre da mesma maneira. Temos vários canais de aprendizagem. Somos muito visuais e auditivos [ao mesmo tempo]. É quase que uma hibridização entre os dois sentidos", afirma Lins.

Para os profissionais, uma aula será muito mais eficiente se expor os alunos a estímulos sensoriais diversos, como tatear o objeto de estudo, ouvir o som que ele pode produzir. Ou então sentir o cheiro, a textura e até mesmo o gosto de algumas plantas durante as aulas de ciências. Essas são algumas dicas práticas que o professor pode utilizar em sala de aula.

"O professor fica para os alunos 'imaginem uma pedra que cai', mas se ele realizasse a experiência, seria muito legal. Combinar as percepções estrategicamente é muito interessante para proporcionar significado para os alunos", ressalta o docente.

"Por que as escolas não podem fazer uma maquete para explicar como funciona um gráfico X, Y ao invés de fazer só no papel branco ou só na lousa, por exemplo? Será mais significativo para o aprendizado do aluno se além de fazer o gráfico com cores, nós construirmos algo que ele possa ver e tatear", exemplifica. 

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