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Carioca se inspira na avó com câncer e vai à final de Olimpíada Nuclear

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Thiago Varella

Do UOL, em Campinas (SP)

16/07/2015 15h05Atualizada em 17/07/2015 17h50

A doença da avó motivou uma jovem carioca a se inscrever e participar da Olimpíada Nuclear (Nuclear Olympiad, em inglês), evento global voltado a estudantes do mundo inteiro que estejam interessados no desenvolvimento global de técnicas nucleares. Alice Cunha da Silva, de 25 anos, está no quinto e último ano da faculdade de engenharia nuclear, na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A jovem foi classificada para a fase final da olimpíada que será realizada em Viena, na Áustria, em setembro deste ano.

Toda a empreitada da estudante carioca começou com um simples post em uma rede social. Um dia, navegando pela internet, ela tomou conhecimento que a WNU (World Nuclear University), organização fundada por institutos de ensino e de pesquisa em assuntos nucleares, havia aberto inscrições para a olimpíada deste ano. Deste jeito, sem nenhum empurrão de professores ou amigos, ela decidiu participar.

“A WNU é uma instituição que promove diversos eventos, como, por exemplo, cursos de verão, todos relacionados à área nuclear. Eu curto a página deles no Facebook e recebo notícias. Quando eles anunciaram as inscrições, resolvi que era minha hora”, contou Alice.

O primeiro desafio da estudante foi, então, produzir um vídeo de até um minuto sobre algum assunto relacionado à área. No entanto, a WNU não queria nada óbvio e, por isso, excluiu os temas energia e ciclo de combustíveis. O problema é que o maior foco de interesse de Alice é a energia nuclear. Ela, inclusive, já participa de grupos de pesquisa sobre o tema.

Foi quando um drama familiar acabou inspirando a jovem a fazer um vídeo para a inscrição no evento. “Minha avó tem câncer e passou por tratamentos nucleares para se curar. Esse tema estava extramente perto de mim e da minha família. Não tinha como eu fazer um vídeo sobre outra coisa”, explicou.

Com a ajuda de amigos e de seu pouco conhecimento no Movie Maker, aplicativo para edições de vídeos simples no Windows, Alice gravou o vídeo "Medicina nuclear salva vidas". Por meio de um sistema de votação online, a brasileira foi escolhida para disputar a fase final da Olimpíada Nuclear ao lado de outros quatro estudantes de vários lugares do mundo.

A paixão de Alice por assuntos nucleares surgiu durante um estágio feito no setor de tecnologia da informação de uma empresa da área.

“Sou técnica de informática pelo Cefet aqui no Rio e estagiei em uma empresa da área nuclear. Fiz o vestibular para fazer parte de uma das primeiras turmas do curso na UFRJ e me apaixonei ainda mais pelo assunto, pois é uma área muito abrangente”, afirmou. “Dá para trabalhar na área energética, de medicina, análise de falha de equipamentos e outras. É uma área tão pouco conhecida e que serve para muita coisa.”

Durante a faculdade, Alice passou um ano nos Estados Unidos, pelo programa Ciência sem Fronteiras, na Pennsylvania State University. Atualmente, a jovem faz estágio em uma empresa norte-americana e sonha em trabalhar na área energética.

“Eu tenho me focado nesta área de energia. Para ficar no Brasil, preciso passar em um concurso público ainda, caso contrário, vou precisar viver fora”, disse.

Para a próxima fase das olimpíadas, a estudante precisa preparar uma dissertação sobre a produção de radioisótopos e apresentá-la no dia 17 de setembro, em Viena, na Áustria.

"Agora conto com a ajuda dos professores. Estou fazendo minha pesquisa. Como aluna da área, tenho noção do assunto, mas preciso me aprofundar bastante", explicou a brasileira.