Topo

Com servidores em greve, Ufop suspende as aulas

Douglas Couto

Do UOL, em Ouro Preto

2015-07-21T17:29:48

2015-07-22T10:58:04

21/07/2015 17h29Atualizada em 22/07/2015 10h58

A Universidade Federal de Ouro Preto, região central de Minas Gerais, decidiu pela suspensão do início das aulas por tempo indeterminado. A medida anunciada nesta terça-feira (21) pela Prograd (Pró-reitoria de Graduação), afeta os cursos presenciais de graduação que, pelo calendário acadêmico, deveriam recomeçar no dia 3 de agosto. A suspensão, segundo a nota da Ufop, é em razão das greves dos docentes e dos servidores Técnico-Administrativos, que estão parados há 52 dias.

De acordo com Sérgio Neves, o diretor do Sindicato Assufop (Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Ufop), o pedido do comando local de greve é pela suspensão de todo calendário acadêmico do segundo semestre de 2015. A proposta, elaborada em conjunto com os docentes, foi protocolada na quinta-feira (16), e deverá ser analisada pelo Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão).

O texto do ofício aponta o atual quadro de dificuldades de funcionamento da universidade em decorrência do corte orçamentário da educação, anunciado pelo governo federal, que “significa inegável prejuízo para a manutenção das atividades da instituição”. No caso de Ouro Preto, o impacto será de 47% no orçamento de custeio. Segundo o reitor da Ufop, Marcone Jamilson de Freitas, isso representa um corte de R$ 15 milhões em projetos, obras, acervos, equipamentos e mobiliário, entre outros.

“O nosso objetivo é para sensibilizar o governo federal, que conhece a nossa pauta, e buscar negociação com a categoria. Essa é a arma que temos para tentar sensibilizar o governo, infelizmente pode causar transtornos, e se o governo demorar mais para negociar, os prejuízos podem ser maiores”, afirma o diretor sindical.

A greve dos técnico-administrativos da Ufop começou no dia 1º de junho. A categoria reivindica reajuste salarial de 27,3%, o fim dos cortes no orçamento da educação, abertura de concurso e a extinção da terceirização no serviço público.

As negociações já começaram, e seguem com impasse. O governo ofereceu 21,3% a ser pago em quatro vezes até 2019, proposta rejeitada. “Isso não repõe nem a inflação futura”, disse Sérgio. Uma nova rodada de negociação acontece na próxima quinta-feira (23), em Brasília, numa reunião específica entre a Fasubra Sindical (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras) e a Secretaria de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), na Esplanada dos Ministérios.

O governo federal tem até o dia 21 de agosto para enviar ao Congresso Nacional os projetos de lei que resultarem dos acordos.

Mais Educação