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Alunos da rede estadual protestam contra fechamento de escolas em São Paulo

Daniel Mello

Da Agência Brasil, em Taboão da Serra (SP)

22/10/2015 17h42Atualizada em 22/10/2015 20h10

Alunos de sete escolas públicas de Taboão da Serra (Grande São Paulo) fizeram hoje (22) um protesto contra o projeto de reorganização das escolas do estado. A proposta prevê o fechamento de estabelecimentos de ensino e a transferência de alunos.

O ato teve o apoio do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Os manifestantes saíram em passeata pelas ruas da cidade e, ao final, ocuparam o saguão da Diretoria Regional de Ensino. Após a saída do grupo do prédio, ficou acertada uma reunião entre os representantes locais da Secretaria Estadual de Educação e dos estudantes.

A secretaria diz que a proposta leva em consideração a queda de 1,3% na população em idade escolar no estado entre 1998 e 2015, o que representa uma redução de 2 milhões de matrículas. Ainda segundo o governo estadual, a reorganização vai permitir a divisão dos colégios por ciclos de ensino: anos iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino fundamental e ensino médio. A Secretaria de Educação ainda não divulgou no número de estabelecimentos que podem ser fechados, de alunos que serão transferidos ou de professores que podem ser demitidos. As mudanças devem começar no ano letivo de 2016.

O coordenador do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo em Taboão da Serra, Miguel Leme, contesta a versão do governo sobre a reorganização. “Apesar de ter um nome bonito, representa um ataque à escola pública. Pelo projeto do governo, se a reorganização for implementada, mais de mil escolas vão ser fechadas, o que vai provocar a demissão de mais de 40 mil professores. Várias escolas não vão ter período noturno. E haverá a transferência compulsória de 2 milhões de alunos para outras escolas”, ressaltou.

A falta de oportunidade para que os estudantes e educadores manifestassem sua opinião sobre as mudanças é outra crítica feita ao projeto. “O problema é que isso tudo está sendo feito sem nenhum tipo de consulta à comunidade escolar. Em nenhum momento, os professores, pais e alunos foram consultados”, reclamou Leme.

Animada, a estudante Vanessa Matos, de 15 anos, cantava e dançava ao som do grito de guerra com ritmo de funk. “Tô boladão. Não vou deixar o governo fechar a minha escola não”, dizia a letra, cantada em coro. “Quem mora perto das escolas, vai para escolas longe”, criticou a jovem, acrescentando que provavelmente será afetada. Vanessa contou que mora praticamente ao lado do colégio e leva apenas “dois minutos” para chegar. Com a mudança, ela acredita que precisará de meia hora para se deslocar até a escola.

Além de aumentar a distância para muitos, os estudantes também têm medo de que as alterações aumentem o número de alunos por sala. “Assim, aos alunos que têm mais dificuldade, o professor não consegue dar atenção”, afirmou Vanessa que estuda em uma classe com 44 colegas.

Tayline Rosa, de 17 anos, também deve demorar mais tempo para chegar à escola, com as mudanças que devem entrar em vigor a partir do ano que vem. “Já moro longe da escola, vai ficar mais longe ainda”, reclamou a jovem que cursa o primeiro ano do ensino médio e leva em média 25 minutos de casa para a escola.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo disse que as manifestações, embora legítimas, não podem desinformar e alimentar em pais e alunos falsos temores e que "também não podem sobrepor o direito dos estudantes paulistas por uma educação de mais qualidade". Segundo a secretaria, São Paulo tem atuado para a entrega de escolas melhores, com ambientes mais preparados para cada faixa etária e com profissionais capacitados para atender às necessidades destes estudantes. "Manter os alunos da mesma idade juntos é prática comum de alguns dos melhores colégios do país e de países referência em educação", diz a nota.

Para a secretaria, "as informações, ainda não oficiais, propagadas por um sindicato com claras pretensões políticas tenta mais uma vez inviabilizar melhores condições aos alunos e também aos profissionais da rede estadual. A Secretaria lamenta e garante que permanecerá atuando por meio do diálogo com os educadores e compromisso com o ensino".