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"Não fui preterido", diz 1º lugar que não concorreu na USP por causa de cotas

Caio Carvalho, 1º lugar em filosofia na Unifesp e membro do Missu - Arquivo Pessoal
Caio Carvalho, 1º lugar em filosofia na Unifesp e membro do Missu Imagem: Arquivo Pessoal

Lucas Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

19/01/2016 21h02

Caio Carvalho, de 26 anos, já é formado em engenharia química pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e tinha o sonho de estudar filosofia. A realização do desejo veio com o resultado do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), no qual foi aprovado em 1º lugar na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Por conta das cotas, não pôde se inscrever na USP (Universidade de São Paulo): "Não fui preterido", comenta.

Para ele, as ações afirmativas são instrumentos importantes para "amenizar distorções históricas". "Geralmente quem se declara contra as contas afirma que primeiro é necessário melhorar a qualidade da escola pública. Mas isso não é rápido. As cotas são importantes para contornar essas distorções", diz.

Pela primeira vez participando do Sisu, a USP disponibilizou 34 vagas para o curso de filosofia todas para candidatos que, independente da renda, tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. Carvalho estudou a vida toda em escola particular. "Minha mãe é professora da rede pública por muitos anos. Acredito que por conhecer o sistema preferiu colocar eu e minha irmã em escola particular", diz.

Mas engana-se quem acredita que o engenheiro tenha uma visão negativa das escolas públicas. Para ele, não é impossível que um aluno dessas instituições passe em boas universidades. "É difícil generalizar. Existem boas redes pelo país, como em Pernambuco e em Sobral, no Ceará."

Missu

A relação de Carvalho com a educação não se restringe à sua mãe. Atualmente ele faz parte da equipe do Missu (Missão Universitário), uma plataforma online que auxilia estudantes que pretendem fazer Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e outros vestibulares com simulados. Mais de 230 mil alunos já treinaram pelo site, que também conta com um blog com dicas de estudo, escolha de profissão e melhores estratégicas na hora de se inscrever no Sisu.

A vontade de prestar filosofia no Enem veio ao lidar diariamente com as dúvidas dos estudantes na plataforma. Segundo ele, foi uma forma de acompanhar ainda mais o processo seletivo com os candidatos do Missu. E foi dessa forma que ele estudou. "Não peguei nos livros para estudar para o Enem. Mas auxiliar os estudantes no Missu acabou sendo uma forma de estudo", acredita.

Carvalho já havia feito o exame em 2006 -- naquela época o Enem apenas aumentava a pontuação em alguns vestibulares. "É mais fácil falar das semelhanças entre o antigo e o atual Enem, porque o exame mudou completamente. Apesar dos críticos afirmarem que ele está mais conteudista, acredito que ele ainda seja muito bem contextualizado. Gosto muito desse estilo de prova."

O tema da redação também recebeu elogios do futuro estudante de filosofia. "Violência contra as mulheres é um tema que precisa ser debatido. A própria repercussão que ele gerou nas redes sociais mostra que o MEC foi bem sucedido em fomentar essa discussão", avalia.

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