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Enem 2015: melhores escolas pública e privada dão receita de bom desempenho

Hélvio Romero/Estadão Conteúdo
Sala de aula do Objetivo Integrado, na avenida Paulista Imagem: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2016-10-04T12:09:06

04/10/2016 12h09

Entre as 20 melhores escolas no Enem 2015 (Exame Nacional do Ensino Médio), as duas pontas têm semelhanças e muitas diferenças. Em 1º lugar, o Objetivo Integrado tem só 41 alunos e mensalidades de R$ 2.667.09 em São Paulo. Na 20ª colocação, o Colégio de Aplicação da UFV (Universidade Federal de Viçosa), em Minas Gerais, única escola pública no topo da lista divulgada neste ano, tem seleção de ingresso e sofre com cortes de verbas.

Em comum, a melhor escola pública e a melhor privada têm bons professores, alguns com pós-graduação e, no caso do Coluni, com dedicação exclusiva; aulas em turno integral; e alunos selecionados.

No Objetivo Integrado, a turma é pequena e, segundo a coordenadora Vera Lucia da Costa Antunes, a boa fama da unidade atrai bons alunos interessados em vestibulares muito concorridos e Olimpíadas do conhecimento. “Essa seleção [dos alunos] é natural. Muitos nos procuram para frequentar essa turma”, afirma. “A vantagem dessa sala é que um motiva o outro, compartilham interesses, fazem grupos de estudo, um ensina o outro. Eles são bem unidos”.

De segunda à sexta de manhã, os alunos do Objetivo têm aulas do conteúdo comum ao ensino médio. Já no período da tarde, as disciplinas são mais aprofundadas e podem ser escolhidas pelo estudante de acordo com a sua demanda. Às vezes há provas aos sábados e até aos domingos.

Além da mensalidade, o material custa por ano R$ 1.891,45 (valor para 2017). “O material tem muita atividade desafiadora, exercícios de diferentes níveis. Não preparamos só para o Enem, mas para os melhores vestibulares”, afirma a coordenadora. No grupo seleto, há alunos interessados em estudar medicina, engenharias e direito, entre outras carreiras, em grandes universidades no país ou no exterior.

Os professores têm formação diversificada – há engenheiros com licenciatura, por exemplo – e dão aulas em outras unidades da rede. “O Objetivo tem um tripé: aluno interessado, bom professor e material didático de qualidade”, diz Antunes.

Divulgação/UFV
Campus da Universidade Federal de Viçosa, onde fica o Coluni Imagem: Divulgação/UFV

Coluni: formação integral e falta de verbas

O Colégio de Aplicação que fica dentro do Campus da UFV, em Viçosa (MG), seleciona todo ano 150 alunos para ingresso no início do ensino médio. Quem deseja entrar no 2º ou no 3º ano precisa torcer por vagas remanescentes, também disputadas. Não há turmas para o ensino fundamental.

“O desempenho do Coluni é resultado do trabalho que é realizado aqui, de professores com dedicação exclusiva, de uma equipe de técnicos capacitada, de alunos que passam por um processo seletivo e dos projetos da escola”, diz a diretora Renata Gonçalves.

Neste ano, 52% dos ingressantes fizeram o ensino fundamental na rede pública, os demais migraram de colégios particulares em busca da escola federal de qualidade nos rankings nacionais. Os selecionados têm aulas em dois turnos de segunda à sexta: um com conteúdo básico do ensino médio e no outro, projetos de pesquisa, de extensão e educação física. Em alguns, sábados há atividades ou provas, conforme o calendário.

“O colégio tem vários projetos em andamento, de música, literatura, teatro, educação financeira. O Coluni não foca no Enem. A gente quer que eles estejam preparados para a vida”, afirma Gonçalves.

Os estudantes do Coluni têm disponíveis todas as dependências da UFV (restaurante, biblioteca, hospital, por exemplo) e possuem professores concursados pela universidade. Se há vantagens de pertencer à rede federal, a unidade também sofre com os cortes de verbas da União.  

“Eu não tenho certeza que esse resultado vai continuar nos próximos anos. A falta de verbas está minando a escola. Esse resultado de 2015 já vem de uma escola mais precária; este ano está sendo mais difícil”, conta a diretora. “Faltam professores e as áreas estão sobrecarregadas. Algumas aulas são dadas por alunos da pós-graduação da UFV, que deveriam apenas apoiar em sala. A nossa infraestrutura é boa, mas estamos com problemas de reposição de material”.

O governo federal anunciou que deve cortar até 45% dos recursos previstos para as universidades federais em 2017, o deve afetar o funcionamento do Coluni. “Ano que vem o corte será maior ainda e estamos com medo”, diz Gonçalves.

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