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Ministro pede fim de manipulação ideológica nas universidades

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 2.jan.2019
Carlos Alberto dos Santos Cruz, novo ministro-chefe da Secretaria de Governo Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo - 2.jan.2019

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

2019-03-21T08:53:31

21/03/2019 08h53

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, defendeu que as universidades do país não tentem "implantar" ideologias políticas em seus alunos, mas se foquem em ensinar princípios como honestidade, respeito e patriotismo.

"Não deixem que tentem fazer de vocês fantoches, não sejam manipulados por ideologia", disse o ministro a um grupo de estudantes na noite de ontem, durante uma aula magna na Universidade Santa Úrsula, no Rio.

"Eu vejo a educação, do ponto de vista pessoal, como sendo um processo onde você deixa o aluno se desenvolver para criar suas próprias conclusões. Não é você fazer um sistema onde, para garantir os seus interesses, o seu projeto de poder ou a sua ideologia, você manipula a mente do jovem", declarou.

O ministro não mencionou nenhum tipo específico de ideologia a ser evitada. Uma das bandeiras de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi fim do ensino ideológico nas escolas do país. No período eleitoral, o presidente fez críticas a ideologias ligadas à esquerda.

Em sua fala, Santos Cruz defendeu que a universidade se foque em ensinar princípios como a tolerância. "Você tem que ensinar o cara a respeitar todo mundo, não interessa se é gay, se é lésbica ou se não é lésbica, se é negro ou se é branco, se é magro ou se é gordo, tem que respeitar todo mundo", disse.

Sem citar a atual crise no MEC (Ministério da Educação), ele disse ainda que negociará com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, a criação de um canal direto de comunicação ligando as universidades públicas e privadas à pasta.

No início deste mês, Vélez Rodríguez promoveu um processo de substituições e remanejamentos de servidores do MEC.

A ação ocorreu no mesmo momento em que o escritor Olavo de Carvalho --espécie de guru de Bolsonaro e que havia indicado Vélez Rodríguez para a pasta-- recomendou que seus seguidores deixassem o governo.

Nos bastidores, há uma disputa dentro do MEC entre as alas militar, olavista e técnicos da pasta.

Santos Cruz não fez referência às recentes substituições no MEC em seu discurso na universidade carioca, mas disse que a pasta está num momento de seleção de pessoas.

O objetivo seria melhorar não só a filosofia educacional, mas principalmente o gerenciamento dos recursos do ministério.

O ministro disse que houve muitos desperdícios em administrações anteriores. Na área de educação, Santos Cruz disse que encontrou 2.600 obras não concluídas.

Ele afirmou que essas obras apresentam atualmente índices de andamento que variam entre 50% e 85% e que o governo pretende concluir todas durante o mandato.

Uma das atribuições de Santos Cruz na Secretaria de Governo é cuidar da comunicação do Executivo com dos diversos setores da sociedade. Ele disse que negociará com Vélez Rodriguez a criação de um canal específico ligado as universidades ao governo.

"Eu vou conversar com o ministro da educação, porque ficou bem nítido o anseio que tem o ambiente universitário. Acho que isso pode se expandir para todos os níveis de escolaridade", afirmou.

Pela 2ª vez, em três dias, Vélez anuncia troca no cargo nº 2 do MEC

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