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1 mês

Brasil manda 'inteligência pronta' para o exterior, lamenta ex-ministro

Do UOL, em São Paulo

25/10/2021 14h28Atualizada em 25/10/2021 15h26

Para Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, o recente corte de R$ 600 milhões no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações mostra que a área científica está sendo "descuidada" no Brasil, incentivando uma saída de cientistas brasileiros para o exterior.

"Quando você começa a ter jovens doutores, qualificados, que não têm perspectiva de emprego aqui, que estão vivendo de bolsas temporárias, então fica muito difícil (segurá-los no Brasil)", disse Janine Ribeiro ao UOL News, programa do Canal UOL.

"Mandamos nossa inteligência pronta", completou Janine, no sentido de que o Brasil apoia a formação desses jovens — estudam em universidades públicas, por exemplo —, mas não lhes dá um trabalho e uma renda fixa e estável — algo que outros países lhes oferecem.

"Na hora de se beneficiar de todo esse conhecimento que patrocinou, o Brasil dá uma de pai cruel e não dá espaço para as pessoas florescerem aqui. Aí, o que acontece é que elas vão embora, mesmo sem vontade de ir", pontuou.

Na avaliação do ex-ministro, o corte recente nas verbas da pasta do ministro Marcos Pontes, que inviabiliza a criação do Centro Nacional de Vacinas, na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), afeta até mesmo as relações exteriores do Brasil.

Para ele, com o parque tecnológico, "nós teríamos uma economia muito grande na aquisição de vacinas no estrangeiro, e também poderíamos vender e doar vacinas a países mais pobres".

"Economizaríamos dinheiro, ganharíamos dinheiro e ajudaríamos países mais pobres, sobretudo na África, fortalecendo a nossa diplomacia", argumentou ele.

O parque tecnológico para produção e pesquisa na área de vacinas, anunciado em setembro, contaria com R$ 50 milhões investidos por parte do governo federal para ser construído, além de R$ 30 milhões por parte do governo de MG.

Os R$ 50 milhões previstos para o Centro Nacional de Vacinas, porém, estavam dentro do corte de R$ 600 milhões, feito a pedido do Ministério da Economia para distribuir para outras pastas da esfera federal.