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Bolsonaro diz que ministro da Educação está acabando com 'lixo acumulado'

Presidente negou que ele e ministro tenham interferido no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) - Adriano Machado/Reuters
Presidente negou que ele e ministro tenham interferido no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL*, em São Paulo

24/11/2021 20h18

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou hoje o ministro da Educação, Milton Ribeiro, e afirmou que os pais querem valores conservadores na escola, não "lixo acumulado".

"Não escolhi o Milton pela sua formação religiosa, mas ele é um pastor. Quem poderia imaginar um pastor no MEC? O que nós queremos para nossos filhos? Que o menino seja menino, que a menina seja menina, e não aquele lixo acumulado de 2003 para cá, onde se falava de quase tudo na escola, menos de física, química e matemática", declarou o presidente durante cerimônia de certificação de 43 escolas cívico-militares.

O presidente usa frequentemente a questão de identidade de gênero para atacar gestões passadas, inclusive mencionando um "kit gay" —que nunca existiu. O presidente usa o termo para se referir a conteúdos de combate à homofobia para divulgação em escolas públicas. Ele também associa o suposto "kit gay" ao livro "Aparelho Sexual e Cia.", que fala sobre orientação sexual para jovens de 11 a 15 anos. O livro nunca foi comprado pelo governo, nem chegou a constar de materiais didáticos do MEC (Ministério da Educação). Bolsonaro repete esta mentira pelo menos desde 2016.

Ribeiro esteve sob os holofotes nas últimas semanas pela crise no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) antes do primeiro dia do Enem. Trinta e cinco servidores pediram demissão, e alguns deles afirmaram que questões do exame foram censuradas. A segunda etapa acontece no próximo domingo.

Bolsonaro comentou o assunto durante o evento e negou interferência. "Acusaram a mim e ao ministro de ter interferido na prova do Enem. Se eu pudesse interferir, pode ter certeza, a prova estaria marcada para sempre, com questões objetivas, de fato, e não com questões ideológicas, como ainda vimos nessa prova".

O presidente disse ainda que gostaria de inserir uma questão sobre a ditadura militar na prova. "Eu queria botar, sim, uma questão lá, se pudesse: quem foi o primeiro general que assumiu em 1964? Foi Castelo Branco. Em que data? Queria botar lá. Duvido que a imprensa acertaria, se fosse fazer a prova. A maioria ia errar, porque iam falar 31 de março. O que eu quero com isso? Não é discutir o período militar, é começar a história do zero".

O presidente também disse que Castello Branco foi escolhido presidente da República "à luz da Constituição", sem considerar que houve uma tomada de poder ilegítima em 1964, e atacou a anulação pelo Congresso, em 2013, da sessão legislativa em que o ex-presidente João Goulart foi deposto, abrindo espaço para a ditadura.

*Com Estadão Conteúdo