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Com covid em alta, metade das escolas suspende aulas em São Paulo

19.out.2020 - Crianças guardam distanciamento após reabertura de escolas municipais no primeiro ano de pandemia - Rubens Cavallari/Folhapress
19.out.2020 - Crianças guardam distanciamento após reabertura de escolas municipais no primeiro ano de pandemia Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

24/06/2022 04h00

O novo aumento de contágios de covid-19 registrado em maio em todo o Brasil voltou a afetar as escolas municipais da cidade de São Paulo. Uma pesquisa divulgada esta semana indica que cerca de metade das escolas que responderam a um questionário chegou a suspender total ou parcialmente suas aulas entre 23 de maio e 15 de junho.

Sem dados da própria prefeitura sobre o impacto da pandemia nas unidades de ensino, o Crece Central —um conselho de pais de alunos que reúne os representantes de todos os conselhos escolares do município— realizou o levantamento por conta própria.

Procurada, a prefeitura não comentou a pesquisa. Disse apenas que "monitora as unidades escolares e dá suporte técnico para investigação de casos".

A pesquisa, que recebeu respostas de 522 das 1.510 escolas da rede municipal com administração direta da prefeitura, indica forte aumento das contaminações nas unidades, resultando em afastamento de estudantes, professores e até na suspensão parcial ou total das atividades presenciais.

As conclusões foram a seguinte:

  • 43,7% das escolas registraram afastamento de uma ou algumas turmas no período;
  • 6% tiveram a suspensão total das atividades;
  • 3,3% precisaram suspender as atividades em um dos períodos.

A pesquisa também informa que, no período, 92% das escolas registram casos confirmados de covid.

"Em 63% das unidades com casos confirmados, os estudantes e os professores da turma foram afastados para quarentena", diz o estudo.

A média móvel de casos cresceu nos últimos dias em todo o Brasil, ao passar de 13.571, em 23 de maio, e chegar a 47.966, em 14 de junho. Nos últimos dias, essa média registrou estabilidade, marcando 40.677 no dia 22 de junho.

Na capital paulista, essa média era de 223 em 23 de maio; bateu em 565 em 16 de junho e, em 22 de junho, era de 474, segundo o Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).

Além de responderem as questões do formulário, os participantes expuseram, sob anonimato, os principais problemas enfrentados. Eles dizem que as escolas e UBSs (Unidades Básicas de Saúde) não testam casos suspeitos, e a prefeitura resiste em orientar sobre como lidar com o aumento das infecções.

Eles também dizem que "90% dos estudantes não usam máscara", um problema agravado pela superlotação das salas, uma vez que alunos de professores afastados devido à covid estão sendo divididos entre outras turmas.

"Meu filho ficou 15 dias sem aula"

11.set.2020 - Sala de aula com mesas marcadas com fita para distanciamento de estudantes em escola na zona leste de São Paulo no primeiro ano de pandemia - Rubens Cavallari/Folhapress - Rubens Cavallari/Folhapress
11.set.2020 - Sala de aula com mesas marcadas com fita para distanciamento de estudantes em escola na zona leste de São Paulo no primeiro ano de pandemia
Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress
Membro do Crece Central e mãe do Miguel, 14, Melissa Ribeiro Saraiva, 38, conta que a escola do filho, no Butantã, zona oeste, registrou "14 casos confirmados e alguns suspeitos" em apenas cinco dias de maio. No começo de junho, três salas precisaram ser afastadas.

"Inclusive a do meu filho, que estuda no 8º ano", diz. "Ele ficou em casa de 4 a 19 de junho."

Não existiu aula remota. Fiquei muito nervosa com isso. Eles enviavam pelo Google Class uma lição de casa por dia. Em dois dias o Miguel resolveu as lições de duas semanas."
Melissa Ribeiro Saraiva, mãe de aluno

"Isso não é ensino remoto em lugar nenhum. Não tinha professor e não tem planejamento da Secretaria de Educação", afirma. "As escolas não têm teste, as UBS também não."

A prefeitura não comentou as críticas. Disse em nota recomendar às escolas com casos de covid que notifiquem a UBS de sua área de abrangência, "que fará a notificação dos casos, eventuais surtos, além de orientação de medidas de controle, juntamente com a Unidade de Vigilância em Saúde da região".

Para Melissa, "essas contaminações não estariam assim se pelo menos o uso de máscara fosse obrigatório".

Na terça-feira (21), o Crece pediu à Vigilância Sanitária "a volta da obrigatoriedade do uso de máscaras nas escolas", mas a resposta, enviada no dia seguinte, foi que "as decisões com relação aos protocolos extrapola nossa autonomia", e encaminhou o pedido à Secretaria Municipal de Saúde e à Delegacia Regional de Educação.

Apesar dos problemas, a gestão Ricardo Nunes (MDB) publicou na terça uma portaria recomendando que as escolas não afastem todos os alunos de uma sala ou unidade mesmo após confirmação de infectado.

Segundo o texto, as escolas não devem afastar os alunos ou funcionários sem sintomas, ainda que tenham tido contato com alguém com suspeita ou confirmação de infecção.

Sobre a portaria, a prefeitura disse que "a partir de dois casos confirmados de covid-19 em pré-escolas e creches, o uso da máscara de proteção, que já era indicado, se torna obrigatório para todos os adultos por 14 dias a partir do último caso confirmado".

Para ensino fundamental, médio, técnico e superior, havendo no mínimo dois casos confirmados da doença, o uso da máscara é obrigatório para todos (alunos e funcionários) que frequentem a sala de aula dos casos confirmados por 14 dias, considerando a data do último caso confirmado."
Prefeitura de São Paulo, em nota