Unesp

Por crise, faculdades pedem redução de vagas no vestibular

Victor Vieira e José Maria Tomazela

São Paulo

  • Marlene Bergamo/Folhapress

Com recursos escassos, faculdades da Universidade Estadual Paulista (Unesp) têm apelado à reitoria para reduzir o número de vagas oferecidas no próximo vestibular. A administração reconhece os pedidos, mas recusou as solicitações. A instituição enfrenta grave crise financeira desde 2014.

A Faculdade de Odontologia, em Araçatuba, pediu a suspensão da oferta de 30 vagas da graduação à noite. O curso teve concorrência de 18,5 candidatos por vaga no último vestibular - mais do que o diurno da mesma unidade (11,1 por vaga).

Em documento enviado à reitoria, a Faculdade de Odontologia atribui o interesse em congelar vagas às restrições orçamentárias dos últimos anos, "além do grande número de aposentadorias sem reposição e da previsão de aposentadoria de mais de 10 servidores em 2017".

A Unesp recebe cota de 2,34% da arrecadação paulista de ICMS. Com a crise econômica, o recolhimento do imposto no Estado caiu 1,6%, em valores corrigidos, entre janeiro e maio, ante o mesmo período de 2016, o que impactou as contas da instituição.

Alunos relatam que eles próprios têm de comprar alguns materiais usados em aulas práticas, que custam caro. Neste semestre, os universitários têm feito protestos contra a falta de estrutura. "A situação está tão complicada que a sensação é de que a faculdade está se autodestruindo", afirma Lucas Lourenço, recém-formado dentista pela faculdade e ex-integrante do movimento estudantil.

O Instituto de Artes, na capital, pediu suspensão de 30 vagas no curso noturno de licenciatura em Arte - Teatro. A proposta enviada era de alternar a oferta desse curso com o bacharelado em Artes Cênicas - Interpretação Teatral como saída para não fechar nenhum dos cursos.

A Unesp de Rio Claro também pediu redução de vagas - nas graduações de Geologia e Matemática. Mas não apresentou justificativas, o que motivou a recusa da reitoria.

Segundo dados internos, a Unesp - que tem cerca de 3,8 mil docentes - tinha 850 vagas de professores não preenchidas em maio. Com a crise, as contratações estão restritas. No primeiro semestre, foram contratados 571 professores emergenciais. Para o próximo, a liberação de vagas ainda está em processo.

Reitoria

A Unesp diz que, para Odontologia, há obrigação legal de manter a proporção de um terço das vagas à noite e dar oportunidade a quem não pode estudar durante o dia. Já a proposta do Instituto de Artes poderia prejudicar alunos que precisassem repetir disciplinas, por exemplo. Informa ainda que a política é manter o número de vagas, "mesmo em momentos de crise", por seu compromisso em formar "profissionais bem qualificados."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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